Organização Estrutural: Sediada em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos, e organizada como uma democracia representativa. Escalões de base elegem representantes para escalões mais altos. As determinações, administração de políticas, e o controle doutrinal são impostos pelos altos escalões. A liderança administrativa é composta da Presidência e do Comitê Executivo da Conferência Geral, sob as quais estão as outras unidades administrativas: a Associação Geral, que é formada pelas Uniões; estas são formadas pelas Associações e Missões, as quais são formadas por Igrejas e Congregações. Várias universidades, faculdades e escolas, bem como vários hospitais, são também mantidos pela organização.
Termos Característicos: “Juízo investigativo”, “Espírito de Profecia”, “Igreja Remanescente”.
História
William (Guilherme) Miller (1782–1849), um pregador itinerante Batista de New England, que fundou o Movimento do Advento na América, previu que o mundo acabaria em 22 de março de 1843 com o retorno de Cristo. Seus seguidores condenaram todas as igrejas daquela época como sendo apóstatas, “Babilônia”, e incentivaram todos os cristãos a saírem delas. Muitos o fizeram, e um movimento “adventista” nasceu e cresceu rapidamente.[1]
Não ocorrendo o retorno de Cristo na data prevista, apontaram para a data de 22 de outubro de 1844. Jesus novamente não veio. Após esse “grande desapontamento”, um outro grupo, o “pequeno rebanho” insistiu que a data da sua previsão original tinha sido correta. Eles decidiram que o evento que ocorreu em 1844 foi na verdade a entrada de Cristo no Santo dos Santos do Santuário Celestial, onde ele supostamente deu inicio ao “juízo investigativo”. Este juízo revela aos seres celestiais quem dentre os mortos será digno de ter parte na primeira ressurreição, e quem, dentre os vivos, está preparado para a trasladação ao reino eterno. Essa doutrina foi endossada e ensinada por Ellen G. White.[2]
De 1844 a 1851 o grupo ensinou a doutrina da “porta fechada”, baseada na parábola das dez virgens.[3] Qualquer pessoa que não tivesse a mensagem adventista quando Jesus entrou no santo dos santos ficaria de fora permanentemente, como ocorreu com as cinco virgens néscias. Separadas do Noivo, elas não podiam assim se tornarem membros dos Adventistas, nem terem nenhuma esperança de vida eterna. Ellen White aprovou e ensinou essa doutrina, e sua primeira visão foi responsável em grande parte pela aceitação da doutrina por parte dos Adventistas.[4]
Em 1846 o grupo tinha adotado a doutrina dos Batistas do Sétimo Dia, que ensinavam que todos os cristãos tinham de observar o sábado, o sétimo dia da semana. Uma versão elaborada dessa doutrina, combinada com a doutrina do juízo investigativo, se tornaram a marca característica dos Adventistas do Sétimo Dia.
Em 1850 James White (1821–1881) e Ellen G. White (1827–1915) começaram a publicar a revista The Review & Herald, disseminando suas doutrinas adventistas e sabatistas. Isso contribuiu para que muitos “Milleritas” (seguidores de William Miller) se organizassem num corpo distinto que adotou o nome de Igreja Adventista do Sétimo Dia em 1860, incorporado formalmente em 1863 com aproximadamente 3.500 membros em 125 congregações[5].
Ellen White nunca ostentou oficialmente o titulo de líder da igreja, mas foi uma das fundadoras e assumidamente uma líder espiritual. Ela propositadamente recusou o titulo de “profetisa”, e se auto-denominou “mensageira”.[6] Ela, porém, alegou ter o “Espírito de Profecia”, e que suas mensagens vinham diretamente de Deus para a direção e instrução da igreja. Com seu conhecimento e consentimento, outros a chamaram de profetisa, e até mesmo de o próprio “Espírito de Profecia”.[7] Tendo apenas uma educação de nível primário, Ellen White alegou por anos que não sabia ler, e que sua prosa literária era inspirada por Deus. Foi-se descoberto, porém, que ela não só sabia ler, como também plagiava outros autores em quase todas as suas obras. Esses fatos foram documentados e indiscutivelmente provados em vários livros.[8]
Historicamente, evangélicos têm tido dificuldade em definir e categorizar os ASD. Muitas de suas doutrinas são biblicamente ortodoxas. Muitos de seus membros são cristãos genuínos, alguns até mesmo em posições influentes na organização. Em vários pontos de sua história, e principalmente na Convenção Geral de 1888, a igreja ASD foi influenciada pelo evangelho bíblico. Isso se intensificou na década de 70.[9] Infelizmente, isso provocou uma polarização. Os administradores da igreja de maneira geral se firmaram nas posições não-ortodoxas da igreja ASD tradicional, enquanto que alguns pastores, e até mesmos congregações inteiras, foram convidadas a se retirarem da igreja.[10] As publicações oficiais da igreja ASD continuam a defender lendas sobre Ellen White, e alega que não houve diferença entra o nível de inspiração que ela recebeu e que os autores bíblicos receberam.[11] Na Conferência Geral de junho de 2000, foi votado que a organização afirmaria e defenderia mais energeticamente a idéia do “Espírito de Profecia através do ministério de Ellen White”.[12] A igreja ASD também ensina outras doutrinas que são claramente irreconciliáveis com o evangelho bíblico (veja em “Doutrina” a seguir). Enquanto isso continuar, evangélicos devem persistir em questionar o status da igreja ASD no cristianismo, e mais ainda, sua alegação de ser a única “igreja remanescente” de Deus. Hoje existem também vários cismas do adventismo, incluindo a Igreja Adventista da Promessa (estabelecido em Moçambique em 2000) e a Igreja Adventista do 7º Dia Movimento de Reforma.
Doutrinas
Os ensinamentos da igreja ASD mais claramente contrários ao evangelho bíblico são sua insistência de que o batismo é um requisito necessário à salvação, sua doutrina sobre a observância do sábado como sendo necessário para a identificação de crentes verdadeiros, e sua doutrina sobre o “juízo investigativo”.
Batismo: “(…) Nesta comissão Jesus deixou claro que Ele desejava fossem batizados todos aqueles que quisessem tornar-se parte de Sua Igreja, de Seu reino espiritual. …, elas deveriam ser batizadas.” “No batismo, o crente ingressa na paixão experimentada por nosso Salvador”. “(…) o batismo assinala também o ingresso da pessoa no reino espiritual de Cristo (…) ele une o novo crente a Cristo (…) Através do batismo, o Senhor acrescenta novos discípulos ao corpo de crentes (…) Assim eles se tornam membros da família de Deus”.[13]
O sábado: “(…) a divina instituição do sabática deve ser restaurada (…) a difusão dessa mensagem causará um conflito que envolverá o mundo inteiro. O fator central será a obediência à lei de Deus e a observância do sábado (…) Aqueles que a rejeitarem acabarão recebendo a marca da besta”.[14]
Em uma de suas obras mais reverenciadas, Ellen White escreve que a observância do sábado seria a “linha de distinção” no “teste final” que separará o povo de Deus nos últimos dias, que recebera “o selo de Deus” e é salvo, daqueles que “recebem a marca da besta”.[15]
Descrevendo uma visão supostamente de Deus, Ellen White escreve: “Vi que o santo sábado é e será o muro de separação entre o verdadeiro Israel de Deus e os incrédulos”.[16] Ela também escreveu sobre alguns Adventistas que não estavam compreendendo que “a observância do Sábado é de importância suficiente para constituir uma linha entre o povo de Deus e os incrédulos”.[17]
O Juízo Investigativo: “Em 1844 …Ele [Cristo] iniciou a segunda e última etapa de Seu ministério expiatório. É uma obra de juízo investigativo, a qual faz pasrte da eliminação final do pecado, (…) Também torna menifesto quem, dentre os vivos, permanecem em Cristo, guardando os mandamentos de Deus e a fé em Jesus, estando, portanto, nEle preparado para a trasladação ao Seu reino eterno. Este julgamento vindica a justiça de Deus ao salvar os que crêem em Jesus. Declara que os que permanecem leais a Deus receberão o reino”.[18]
“(…) nosso Sumo Sacerdote entra no lugar santissímo [em 1844] (…) realizar a obra do juízo investigação e fazer expiação por todos os que se verificaram com o direito aos benefícios da mesma (…) a obra de cada homem é revista perante Deus e é registrada pela sua fidelidade ou infidelidade (…) a lei de Deus é a norma pelo qual o caráter e vida dos homens serão aferidos no juízo (…) Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creram em Jesus (…) Aceitam-se nomes, e rejeitam-se nomes (…) tornando-se eles participantes da justiça de Cristo, e verificando-se estar o seu caractere em harmonia com a lei de Deus, seus pecados serão riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna (…) Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé, e, reclamando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai e os santos anjos, (…) Pecados que não houve arrependimento e que não foram abandonados, não serão perdoados nem apagados dos livros de registro, mas ali permanecerão para testificar contra o pecador (…) [Crist o] guardou os mandamentos de seu Pai, e nele não houve pecado (…) esta é a condição na qual aqueles de permanecerão na hora da tribulação devem ser encontrados”.[19]
De acordo com Ellen White, uma pessoa para ser salva deve crer nessa doutrina. “Aqueles que desejam partilhar da mediação dos benefícios do Salvador não podem permitir que nada interfira com o sua obrigação de aperfeiçoar a santidade no temor de Deus (…) a questão do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente entendida pelo povo de Deus. Todos tem de ter o conhecimento da posição [no Santo dos Santos] e obra [juízo investigativo] de seu Sumo Sacerdote. Do contrário, será impossível que exercitem a fé que agora é essencial para que ocupem a posição que Deus tem para eles. Todo individuo tem uma alma para ganhar ou perder. Cada um tem um caso pendente perante Deus (..) todos que hão recebido iluminação nessas questões devem dar testemunho das grandes verdades que Deus lhes tem entregue. O santuário nos céus é o centro da obra de Cristo a seu favor (…) é de urgente importância que todos examinem cuidadosamente essas questões (..) a intercessão de Cristo pelo homem no santuário celeste é essencial ao plano de salvação tanto quanto sua morte na cruz. Na sua morte ele começou a obra que ele completa depois de sua ressurreição e ascensão.[20]
“Sono da alma”: Segundo a doutrina adventista, os mostos vão para a sepultura, onde dormirão, inconscientes, aguardando a ressurreição. Assim sendo, nenhum justo (tanto do Antigo quanto do Novo Testamento) jamais foi para o céu. Os justos ressuscitarão quando Jesus voltar. Os injustos que morreram não estão num lugar de sofrimento eterno, sendo que “inferno” significa simplesmente a “sepultura”; eles ressuscitarão no fim do Milênio, para então serem destruídos, i.e., aniquilados.[21]
Outras doutrinas características incluem o vegetarianismo e outras questões de “saúde”; a doutrina do “sono da alma” (na verdade uma doutrina da não-existência da alma depois da morte, exceto na memória de Deus); e a doutrina da aniquilação dos ímpios (e não sua punição eterna, consciente).
Algumas Respostas Bíblicas
Batismo: Rm 3:21–26, 28; 4:4–6; 23–24; 5:1; Gl 2:16; 3:26; 5:1–6; Ef 2:4–10; Cl 1:13–14; 2:13–14. Essas passagens deixam claro que a salvação é inteiramente pela graça de Deus, apreendida somente pela fé, e não por obras. O batismo é mencionado em associação com essas passagens, mas o Novo Testamento usa a palavra batismo de diversas maneiras. “Um só batismo” mencionado em Ef 4:4–5 como sendo essencial claramente se refere ao batismo do Espírito, recebido quando uma pessoa é convertida e incorporada como membro do corpo de Cristo. Quando uma passagem menciona o batismo como sendo essencial à salvação, ela se refere ao batismo do Espírito que recebemos quando somos regenerados e convertidos – ou seja, quando o Espírito passa a habitar em nós. Do contrário, isso contraria o claro ensinamento bíblico de que não somos salvos por nenhuma obra, e somente pela graça através da fé.
O Sábado: As citações de Ellen White acima são bem claras: a observância do Sábado (e não a fé somente em Cristo para o perdão dos pecados e a vida eterna) é a linha de divisão entre os salvos e os perdidos no fim dos tempos. Isso é obviamente oposto a doutrina bíblica da salvação, de acordo com as passagens bíblicas citadas acima. Veja também Rm 14:5–6; Cl 2:16–17. O sábado do Antigo Testamento nunca foi mais do que a mera sombra das coisas que haviam de vir. Portanto, a realidade no Novo Testamento sobre o repouso sabático de Deus, da maneira como Paulo e o autor de Hebreus deixam claro, é o próprio Jesus o repouso no qual o crente entra em Cristo (Hb 4:1–10).
O Juízo Investigativo: o conceito do juízo investigativo é antiético ao evangelho. Jesus não esperou até 1844 para entrar no Santo dos Santos no céu (Hb 1:3; 6:19–20; 8:1; 9:6–12, 24; 12:2). Nem está ele ainda fazendo expiação no céu (Hb 9:25–26; 10:11–14). O juízo investigativo supostamente “vindica a justiça de Deus ao salvar aqueles que crêem em Jesus”, ao mostrar que eles foram “leais”, “penitentes” e “fiéis” guardadores dos mandamentos. Isso é um erro grave. A justiça de Deus ao salvar pecadores é completamente satisfeita e vindicada pela morte de Cristo na cruz (Rm 3:24–26).
Até mesmo quando falam da salvação pelos méritos de Jesus, os escritores adventistas normalmente se referem à justiça comunicada, e raramente ao conceito bíblico da justiça imputada. O uso da expressão “justiça de Cristo” associada com a insistência que a perfeição de caráter do crente é pré-requisito para a salvação nada mais é do que uma doutrina que leva à justificação pelas obras, o que as Escrituras dizem ser impossível (Rm 11:6). As palavras de Ellen White deixam claro que em sua visão, ninguém pode ser perdoado antes que todos os pecados forem erradicados de sua vida, e seu caráter seja aperfeiçoado. Essa heresia é encontrada em muitas outras seitas, inclusive o mormonismo. Ela é contraria à doutrina bíblica da salvação somente pela graça, através unicamente da fé.
Como se isso não fosse suficiente, a doutrina adventista também ensina que para que se exercite a fé necessária à salvação, é preciso que se creia que 1844 foi a data de entrada de Jesus no Santo dos Santos. Isso é claramente errôneo, porque é impossível que depois de Jesus ter declarado na cruz “está consumado!” (i.e., completo, quitado), ele tenha tido de esperar mais 1800 anos por um outro evento – tão essencial quanto sua morte e ressurreição – que completasse a salvação, no qual quem quiser ser salvo tenha que crer. Isso nada mais é do que um “outro evangelho” (Gl 1:6–9).
“Sono da alma”: As doutrinas do sono da aniquilação da alma são claramente aberrantes e contrárias ao ensinamento bíblico. As escrituras ensinam que o inferno é um lugar de escuridão e de tormento, no qual os ímpios sofrerão conscientemente por toda a eternidade (Mt 3:12; 18:8, 9; 22:13; 25:28–30, 41, 46; Mc 9:43–48; Lc 16:23–28; Ap 14:10–11, etc.). Os justos, na medida que fisicamente morrem, passam diretamente e conscientemente à vida eterna na presença do Senhor (Fl 1:23; Ap 6:9-11).
Outras Doutrinas: Algumas doutrinas adventistas sobre a “saúde” são até úteis, e não contradizem as Escrituras – exceto pelo fato da não observância dessas doutrinas ascéticas (Gl 2:11-16) ter, segundo suas crenças, conseqüências espirituais, o que não é bíblico (Cl 2:20-23).
Adaptado do artigo por Timothy Oliver
Extraído do Manual de Heresiologia da AGIR
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[1] J. Gordon Melton, Encyclopedia of American Religions, 2:21–22.
[2] Ib., p. 680.
[3] “Por algum tempo depois da decepção de 1844, mantive, juntamente com o corpo do advento, que a porta da graça estava para sempre fechada para o mundo”. Mensagens Escolhidas 1:63.
[4] Robert D. Brinsmead, Judged by the Gospel: A Review of Adventism, pp. 130–33.
[5] Encyclopedia of American Religions, 2:681.
[6] Damsteegt, P.G., et. al., Nisto Cremos: 27 Ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia,pp. 301, 302.
[7] Maurice Barnett, Ellen G. White & Inspiration, pp. 5–17.
[8] e.g., Walter Rea, The White Lie; e Judged by the Gospel, pp. 361–83.
[9] Geoffrey J. Paxton, O Abalo do Adventismo.
[10] Kenneth Samples, “From Controversy to Crisis,” Christian Research Journal, Vol. 11, No. 1, pp. 9–14.
[11] Review & Herald, 4 de outubro de 1928, p. 11; “Source of Final Appeal,” Adventist Review, 3 de junho de 1971, pp. 4–6; G. A. Irwin, Mark of the Beast, p. 1; “The Inspiration and Authority of the Ellen G. White Writings,” Adventist Review, 15 July 1982, p. 3; Ministry, outubro de 1981, p. 8; ver também Judged by the Gospel, pp. 125–30.
[12] Adventist Today [online: julho de 2000]
[13] Nisto Cremos, pp. 251, 255, 258, 259.
[14] Ib., pp. 349, 350.
[15] O Grande Conflito, p. 611.
[16] Primeiros Escritos, p. 33; ênfase nossa.
[17] Ib., p. 85.
[18] Nisto Cremos, p. 407; ênfase nossa.
[19] O Grande Conflito, pp. 484 a 489, ênfase nossa.
[20] Ib., pp. 488–89; ênfase nossa.
[21] v. George A. Mather e Larry A. Nichols, Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo, p. 193.