Reportagem “A Padroeira do Brasil”

APA APARECIDA DO NORTE 12/10/2000 APARECIDA DO NORTE COMEMORACAO DO DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA

Pastor Natanael Rinaldi responde email da Revista Voz no Deserto

Prezado Pr. Natanael,

A matéria que veicularemos sobre a “padroeira do Brasil” não se refere ao dia da padroeira, mas pretendemos causar uma reflexão a nossos leitores sobre o fato de o Brasil ter uma padroeira oficial, discutindo, principalmente, a adoração à figura de Maria, culto às Imagens e até as possibilidades e dificuldades do ecumenismo entre católicos e protestantes. Pegaremos como gancho para a matéria a nova novela que começará na Globo “A Padroeira” e entrevistamos um padre para falar sobre o assunto, por isso gostaríamos de sua elaboração para, se possível, responder as perguntas seguintes, além de lhe colocar à vontade para quaisquer outros comentários a respeito que considerar relevante.

Perguntas:

1. Como o sr. vê a exaltação a Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil?

Resposta: Embora saibamos que a nossa Constituição reconhece a separação entre o poder civil e o poder religioso, a exaltação de N. S. Aparecida como protetora do Brasil é uma ingerência da Igreja Católica Romana no Governo brasileiro, uma forma tendenciosa de o Governo agradar os líderes católicos brasileiros.

 

2. A Bíblia diz que “feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. O sr. acha que essa questão da Nossa Senhora Aparecida pode trazer um tipo de “maldição”para o nosso país?

Resposta: Sem dúvida que sim. Basta espelhar-nos na história do povo de Israel. Envolvendo-se com a idolatria a nação de Israel se via frente dos castigos de Deus. Prova disso no tempo do profeta Elias, quando Acabe se casou com Jezabel eintroduziu a idolatria a Baal. Por três anos e meio não choveu sobre a terra, e a fome se alastrou pela nação. Só depois do abandono da idolatria é que houve chuva (IRs. 17.1; 18.44-45). Quando nos lembramos da carta de Pero Vaz de Caminha, declarando “em se plantando tudo dá”, e vemos o Brasil vivendo numa situação de miséria, principalmente nos Estados do Nordeste, só podemos concluir que a nação brasileira está sofrendo o castigo de Deus.

 

3. A adoração a imagens no Brasil é um problema só religioso ou também cultural?

Resposta: O problema daadoração de imagens não só é um problema cultural, como também religioso. Com a descoberta do Brasil, a religião católica tomou a dianteira e então a idolatria se tornou oficial. O Brasil é um país profundamente envolvido com a idolatria, tanto cultural como religiosamente.

 

4. Historicamente, como surgiu esse desvio da mensagem bíblica que levou o segmento cristão católico a adorar imagens de santos e padroeiras etc.?

Resposta: A Igreja Católica procura negar que pratica a idolatria. Criou três tipos de cultos: dulia, culto reservado aos santos; hiperdulia, culto reservado a Maria; e latria, culto prestado a Deus. Entretanto, na prática nenhum católico écapaz de discernir quando está prestando um culto distintamente de dulia,hiperdulia ou idolatria. Prostram-se diante de uma imagem e invocam-na. Porventura, isso não é idolatria?

 

5. Existiria uma maneira, na sua opinião, de minimizar (senão eliminar) a figura de adoração a Maria e suas advocações, recuperando-se assim, o ideal do evangelho na Igreja Católica?

Resposta: A CNBB, em reunião recente, reconheceu que, para ganhar terreno e não permitir o crescimento das ‘seitas’ protestantes, se deve tributar à pessoa de Cristo honras acima do que se presta a Maria. Entretanto, é difícil essa aceitação da primazia de Jesus pelo povo brasileiro, acostumado que está a cultuar Maria. Há mais igrejas católicas no Brasil dedicadas a ela do que dedicadas a Jesus. Maria possui vários atributos exclusivos de Jesus: medianeira, advogada, intercessora, rainha do céu etc. tudo isso, naturalmente, sem apoio bíblico (1Tm. 2.5; 1Jo. 2.1; Rm. 8.34; 1Co. 3.11).

 

6. Alguns católicos afirmam que as padroeiras não são colocadas como mediadoras entre Deus e o homem (esta função seria exclusiva de Jesus), mas são colocadas como apenas intercessoras por causa da identificação que o povo tem com esse tipo de entidade. O que sr. pensa a respeito?

Resposta: Como está declarado na própria pergunta, a identificação do povo brasileiro com a intercessão dos santos é tão arraigada no sentimento do povo brasileiro que qualquer alegação que se faça no sentido de que essa intercessão é apenas superficial não desclassifica o ato de idolatria.

 

7. A produção de imagens, estátuas etc. deve ser condenada em qualquer situação?

Resposta: Sem dúvida que sim. O mandamento declara não se prostrar e também não fazer (Êxodo 20.4-5).

 

8. Numa igreja presbiteriana de Seul existem diversas imagens (esculturas) de Moisés, Abraão e Davi. Isso é uma heresia?

Resposta: Embora se reconheça que os presbiterianos não são idólatras, deve-se ter presente a chamada teoria da pedagogia adotada pela Igreja católica, pela qual justifica o uso de imagens. Isso foi-se implantando paulatinamente na Igreja Católica com a ideia de que as imagens nas igrejas se tomam a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo a função pedagógica de grande alcance. O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados São João Damasceno 117 PG-94, 1248c – Diálogo Ecumênico, p. 232). Esse é o caminho para a idolatria que presentemente observamos no Brasil.

 

9. Como o sr. vê a possibilidade de ecumenismo entre evangélicos e católicos?

Resposta: Não vejo possibilidade de ecumenismo entre católicos e evangélicos. Cito Amós 3.3, “Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?”

Desde já agradeço,

Taiane Almeida

Jornalista – Revista Voz

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