“Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que näo aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto näo pagares o último ceitil”.
Catolicismo Romano cita esses versículos para defender a doutrina do purgatório. Estaria o catolicismo certo?
Os versículos em pauta nos mostram um quadro em que o Senhor Jesus trata da relação do homem com o seu inimigo, ou seja, o devedor e seu credor (compare com Lucas 12.58-59). A palavra adversário aqui não se refere ao diabo e o termo prisão ou cárcere nada tem a ver com o purgatório. O texto, na verdade, refere-se ao acerto de contas, ou reconciliação, entre os homens. Assim, a humildade de espírito pode nos livrar de muitos dissabores, mesmo quando estamos errados. No sentido espiritual, a maneira ímpar de o homem pagar suas dívidas é aceitando o Senhor Jesus como único e suficiente salvador (Jo 8.32; 14.6; Cl 2.14).
Além desse texto, o Catolicismo Romano usa freqüentemente a tradição e o livro apócrifo dos Macabeus (2 Mc 12.43-46), cujo autor, ao concluir a obra, solicita perdão ao leitor por alguma falha: eu também porei aqui fim à minha narração. Se ela está bem, e como convém à história, isso é também o que eu desejo; mas se, pelo contrário, é menos digna (do assunto), deve-se-me perdoar (2 Mc 15.39), característica de que este livro não foi inspirado por Deus, portanto sem qualquer autoridade doutrinária.
Fonte: Bíblia Apologética.