Prof. João Flávio Martinez Fala Sobre o G12

Nota: Entrevista dada no ano 1998.

“Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos e se apartem da simplicidade e da pureza que há em Cristo”. II Cor. 11:3.

E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz. Não é muito, pois, que também os seus ministros se disfarcem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras. II Co 11.14-15

1) O senhor ainda é presidente do CACP? A qual igreja pertence?

Sim, eu ainda sou o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas. Pertenço ao ministério da Igreja Batista.

2) Como o senhor define o G-12?

Seria uma adaptação do movimento em células do Pr. David Y. Cho.
O G-12 carrega em seu bojo muitas doutrinas controvertidas e nada ortodoxas, e isso para mim é um problema sério. Diante disso, poderíamos definir esse movimento como um movimento cheio de boas intenções, entretanto não podemos nos esquecer que de boas intenções o inferno está cheio!

3) O G-12 é um movimento neopentecostal ou uma heresia?

Aí que está a problemática! Eu diria que isso depende de quem pratica o estilo em células, pois tudo depende da adequação do modelo. Conheço muitas igrejas que possuem o sistema em células e até o chamam de G-12, mas que na íntegra se parecem muito com o movimento coreano (embora haja ressalvas em alguns pontos doutrinários). Agora, há outros que, segundo informações que nos foram passadas, fazem absurdos: sessão espírita – estilo regressão espiritual; pedem perdão pelos entes mortos da família; praticam o auto flagelo; matam galinha e usam o sangue para fazer expiação; praticam o encontro denominado “tremendo” e “secreto”; fazem certas unções bem engraçadas, como – “unção peniana” e “unção vaginal”; soltam rojões para impressionar as pessoas que estão enclausuradas nos encontros; usam cruzes enormes… Enfim, são essas coisas que realmente fogem completamente da ortodoxia cristã e adentram para a heresia!

Entretanto, o trabalho de grupos familiares, em si, é bíblico e bem pragmático na vida da igreja.

4) Há igrejas em sua denominação que aderiu o G-12?

A minha denominação tem grupo familiar, mas nem o modelo de do Pr. Warren ela segue, é algo local – é apenas grupos familiares em casas de irmãos. Quando esses grupos crescem viram igrejas nos moldes Batista.

5) O senhor concorda com este modelo?

Bem, jamais concordarei com um modelo que tira a autoridade pastoral. O G-12 faz com que cada célula se torne uma micro igreja, onde o líder batiza, serve a santa ceia, opina na vida dos demais… E pra mim, tais funções são de nível pastoral e outras até impraticáveis em questões de liderança, como, por exemplo, dominar a vida dos chamados “12 discípulos”. Pastor nenhum tem o direito de tirar a liberdade particular de cada cristão. Eu, como ministro do evangelho, posso orientar, mas nunca exigir e obrigar; o domínio mental sobre o discípulo é uma atitude anticristã e totalmente sem respaldo bíblico!

Temos visto muitas igrejas se esfacelarem devido a esse movimento, pastores sendo depostos, muita confusão e um certo ambiente propício para que muitas heresias frutifiquem. Geralmente o líder de células possui pouco conhecimento teológico. O pastor Cho, em seu livro “Grupos Familiares e o Crescimento da Igreja”, comenta justamente esse problema que ele teve na Coréia. Para resolver isso o pastor Cho teve que padronizar as mensagens ministradas nos grupos e centralizar os cultos dominicais.

Espero que haja bom senso da liderança evangélica brasileira nessa e em outras questões, caso contrário poderemos estar entrando em um processo de degeneração espiritual irreparável. Precisamos extirpar essa pseudo-euforia de avivamento e crescimento e buscarmos um autêntico crescimento coletivo para a vida eclesiástica do cristianismo brasileiro. Que Deus nos ajude nesse propósito e que a liderança consiga se livrar dos comichões nos ouvidos! Que nunca nos apartemos da simplicidade que há em Cristo Jesus e sua Palavra!

João Flávio Martinez: é pastor evangélico, professor de religião, graduado em História pela Faculdade Dom Bosco de Monte Aprazível – SP e presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas – CACP

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