O pastor Eguinaldo Hélio é um prolífico escritor e um hábil pesquisador de apologética. Atualmente é pastor da Igreja Vale da Bênção. É formado em jornalismo e professor de teologia nas áreas de história, apologética e escatologia. Atualmente está Pós-graduando em Teologia Sistemática Aplicada pela FABAPAR. É ainda Coordenador do Ministério SIM ISRAEL e Coordenador do Instituto Karis de Missões. Com tantas ocupações, ele gentilmente cedeu um espaço em sua agenda para conceder a presente entrevista sobre sua mais recente obra – Marxismo Selvagem.
- Por que escrever um livro sobre marxismo para a Igreja?
Vários motivos. Já se passaram diversos anos em que havia uma literatura cristã mostrando os perigos do marxismo. De lá para cá ele penetrou sorrateiramente na educação, na cultura e mesmo na igreja. Uma nova geração de cristãos surgiu e precisa ser confrontada com o mal que é o comunismo/socialismo/marxismo. A forma como ele vai sendo inserido na sociedade, diferente daquela etapa revolucionária inicial, torna necessário que se estude seu conteúdo e seus métodos, para através disso instruir e protegera a igreja
- Rosa Luxemburgo em um folheto publicado pelo Partido Social Democrata Polaco, em 1905, afirma que o cristianismo primitivo era comunista. Pode-se alinhar Atos 2.42-45 com a doutrina comunista?
O marxismo tem sido identificado como uma heresia cristã ou como uma religião secular. Como aconteceu com vários grupos religiosos (kardecismo, Nova Era, etc), eles sabem que não conseguem penetrar em nossa sociedade judaico-cristã sem uma ponte e por isso tentam fazer essa ponte, utilizando-se de pontos que acreditam convergir. Tal discurso é apenas um instrumento retórico de sedução. No livro Marxismo Selvagem há um texto somente comentando sobre essa passagem bíblica. Só alguns pontos do texto:
Por que este texto não é socialista?
1) Esta ação foi feita por pessoas que acreditavam e temiam a Deus, o que não é o caso do socialismo, com suas bases ateístas e materialistas
2) Eles fizeram voluntariamente, não à força das armas do Estado como defendeu Marx em seu Manifesto Comunista.
3) O governo romano nada teve haver com esta ação. Os cristãos não consideravam o Estado “redentor”. Eles sabiam que amor ao próximo, solidariedade e comunhão são valores individuais. Não produtos da coerção estatal.
- Mas o capitalismo também não tem seus males, por que escolher o marxismo? O que há de pior no comunismo?
Tudo neste mundo tem seus males, por causa da queda. Até os governos tem seus males e mesmo assim o apóstolo Paulo nos ordena a obedecê-lo e a orar pelas autoridades. O capitalismo ou o livre mercado diz respeito apenas como as negociações funcionam. Está manchado pela cobiça humana como qualquer outra situação na história. Mas o capitalismo não tem pretensões messiânicas como o marxismo. O capitalismo não apresenta “respostas” às questões essenciais da vida, como a existência de Deus, a essência humana ou o destino da humanidade. Nem se consideram o instrumento para redenção do mundo. Nem dizem ser a resposta da história. Nem possuem uma escatologia como é o caso do marxismo que acreditam serem capazes de produzir uma sociedade perfeita
- A Grande Mídia nega que haja no Brasil o chamado “marxismo cultural”. Existe realmente isso e do que se trata?
Temos um sistema educacional onde 80% dos professores de história são ideologicamente de esquerdas. O país possui como referência em filosofia, Marilena Chauí, professora de filosofia de uma das principais universidades, defendendo abertamente os conceitos marxistas. O Brasil é um país onde até pouco tempo inexistia um partido de direita, havendo apenas nuances vermelhas entre eles. Como é possível não haver marxismo cultural sendo que o cenário político é dominado por pensadores e líderes de esquerda desde o fim do regime militar? E esses pontos são quase nada diante da influencia de professores, escritores, jornalistas, políticos e ativistas que com certeza beberam das fontes de Marx. O próprio Lula afirmou em um vídeo famoso que só venceu as eleições por causa da Igreja Católica e dos estudantes. O que é mais influente culturalmente do que uma religião e uma educação marxizadas? O marxismo clássico já tinha como estratégia trabalhar na educação e na cultura. O “marxismo cultural” é uma corrente de pensadores marxistas, como Antonio Gramsci e Gyorgi Lukács que acreditavam ser necessário trabalhar primeiramente a cultura, destruindo os valores tradicionais e então introduzindo a revolução. As obras de Gramsci já estão no Brasil pelo menos desde a década de 70. Negar a existência do marxismo cultural no Brasil só é possível se alguém está muito enganado ou está querendo enganar.
- A teologia da libertação é uma vertente do marxismo na teologia católica. Existe algo parecido no arraial teológico evangélico?
Um dos líderes da Missão Integral no Brasil afirmou que ela é a versão evangélica da Teologia da Libertação. Embora talvez nem todos que estejam na Missão Integral de fato se definiriam como marxistas ou mesmo simpatizantes, o fato é que muitos dentro do movimento já mostraram suas claras opções esquerdistas e outros ainda disfarçam. Ela talvez apresente um marxismo diluído, mas com certeza oferece um conteúdo que pode ser instrumentalizado pelas políticas de esquerda
- Por que esses pastores que adotam essa visão socialista do evangelho estariam errados?
E por que estariam certos se o socialismo na história sempre foi anticristão, totalitário, ateísta, materialista? O bonito discurso de “justiça social” e “opção pelos pobres” é apenas instrumento para conquistar o poder e impor o Estado intrusivo defendido por Marx e Engels já no Manifesto Comunista. Basta olhar para a Venezuela para entender porque esses pastores estariam errados. Quantos mais precisam ser mortos para que se compreenda que a política fundada no marxismo é destruidora?
- Então, quais seriam os males que o marxismo poderia causar na fé de um crente?
O marxismo é ateísta em sua essência. Deus é apenas uma projeção do homem. Teologia vira sociologia. Tudo é visto em uma perspectiva social, seja Deus, seja a vida humana. Não há transcendência, nem vida após a morte. Os jovens nas universidades são bombardeados em sua fé. Os ataques ao cristianismo são constantes, seja de forma direta ou sutil. O marxismo é uma cosmovisão, mas não a cosmovisão correta, bíblica, mas uma distorção da realidade. Quem se expõe a ela com certeza sente seus fundamentos abalados.
- Segundo uma pesquisa, cerca de 80% dos professores de história são de ideologia de esquerda. Quais os cuidados que o estudante evangélico precisa ter para não ser engolido pela onda marxista na Universidade, principalmente na área de humanas?
Precisa de sólido conhecimento bíblico, sólido conhecimento teológico e sólido conhecimento apologético. Não só o marxismo, mas o naturalismo, o relativismo, o desconstrucionismo e outros ismos se chocam com a cosmovisão cristã. Precisamos instruir nossos jovens desde cedo. Eles precisam saber que a revelação bíblica é a verdade e conhecer os pontos frágeis dessas ideologias e filosofias não cristãs. Precisa chegar ali consciente de que boa parte do que lhe será ensinado não é “a verdade” indiscutível. Precisa estar consciente que uma mentira acadêmica, mesmo dita com palavras eruditas, é tão nociva quanto uma mentira religiosa.
- O que esperar de “Marxismo Selvagem” e como adquiri-lo?
Marxismo Selvagem é um manifesto contra o marxismo cultural. Portanto, os textos são instrutivos, mas, principalmente, proclamativos, procurando mostrar a realidade do marxismo cultural ao nosso redor, seus perigos e seu conflito com a cosmovisão cristã. O livro pode ser adquirido pelo site ou em contato direto com o autor.
Palestras e seminários também podem ser agendado, permitindo uma exposição mais aprofundada sobre o assunto: http://www.missaoatenas.com.br/loja/ eguinaldo@gmail.com / 011 96362 4164