Romanos 9 é possivelmente a passagem mais citada de todo o corpo bíblico para enunciar a doutrina fatalista da eleição incondicional. Muitas vezes, porém , a exegese parece desleixada e as extrapolações precipitadas. Eu reuni algumas perguntas para auto-reflexão sobre a forma como se aborda e interpreta a passagem de acordo com as intenções do apóstolo Paulo.
Que pressupostos eu estou trazendo para o texto?
Se nos foi ensinada a doutrina da eleição incondicional previamente, e estamos examinando simplesmente para justificá-la através do texto (ou fomos direcionados a consultar este texto como prova), então é claro que vamos vê-la em todo instante. É preciso deixar de lado seus pressupostos e se aproximar do texto com uma mente clara e aberta sobre o que a palavra de Deus está dizendo.
Eu fiz as devidas considerações do uso de Paulo das citações do Antigo Testamento em seus contextos apropriados?
Se você leu uma NVI (Nova Versão Internacional) ou NET (New English Translation) você pode estar impressionado com o fato de que o texto é absolutamente cheio de maiúsculas ou textos em negrito, respectivamente. Estas ênfases são usadas para tornar as citações do Antigo Testamento mais perceptível no Novo Testamento. Parece que, a fim de entender o argumento de Paulo corretamente, devemos nos engajar com as premissas que ele emprega na justificativa de seu argumento da mesma maneira que sua audiência judaica destinatária as teria compreendido.
Eu já considerei a extensão completa do argumento de Paulo através dos capítulos 10 e 11?
Por exemplo, se “ter misericórdia de quem eu [Deus] tiver misericórdia” deve implicar incondicionalidade, então por que Ele encerrou todos eles debaixo da desobediência, para com todos eles usar de misericórdia (cf. 11:32).
Se o fato de que alguns judeus “tropeçaram na pedra de tropeço” é indicativo de sua reprovação incondicional, então por que Paulo vem a dizer: “Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum! … também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.” (Rm 11:11,23)
Minha conclusão concorda com a própria conclusão de Paulo no final do capítulo?
Nos versos 30-32, Paulo conclui lamentando que seus compatriotas (judeus) não obtiveram justiça porque, ao contrário até mesmo alguns gentios, eles perseguiram-na como se fosse pelas obras, não pela fé. Seria muito estranho se Paulo passasse o capítulo argumentando sobre a eleição incondicional de indivíduos para a salvação e então concluir que a justiça (imputada de Cristo) é obtida pela fé.
Extraído de http://deusamouomundo.com/ em 22/01/2014