Para quem foi Escrito Malaquias 3.7-12?

biblia aberta 1

Aqueles que negam que o cristão tem o dever de dizimar, têm se esforçado em tentar deslegitimar o uso de Malaquias 3.7-12 afirmando que tal exortação foi dirigida aos sacerdotes e não ao povo. A leitura que tais intérpretes fazem é de que os sacerdotes é que estavam roubando a Deus supostamente desviando ou deixado de dar a devida finalidade à tais recursos. Analisando com atenção o livro de Malaquias, em especial o texto em questão, veremos que tal argumento não se sustenta, pois parte de pressupostos equivocados.

O Livro de Malaquias foi escrito por volta do ano 460 A.C, no período pós-exílico, tendo como destinatário todo o povo de Israel e não a classe sacerdotal como alegam alguns. Já no primeiro capítulo temos a prova clara  disso: “Sentença pronunciada pelo SENHOR contra Israel, por intermédio de Malaquias.”(cap.1.1) . Se o foco fosse apenas a conduta dos sacerdotes, o texto diria “sentença pronunciada pelo Senhor contra os sacerdotes”, ou “contra os filhos de Levi”, ou algo semelhante como vemos no cap. 2.1 “Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento”. E aqui sim, encontramos palavras especificas aos sacerdotes, mas não que a mensagem do profeta os tenha como foco exclusivo ou prioritário.

A grande questão a ser tratada nesse texto é: Para quem foram dirigidas as palavras encontradas nos versículos 7 ao 12 do capítulo 3? Seria essa repreensão dirigida apenas à sacerdotes infiéis que estariam administrando indevidamente os dízimos ou era uma exortação a um povo infiel que estava retendo o que pertencia à Deus? Vejamos a partir do versículo 6:

Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos. Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o SENHOR dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.  Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos.

Está muito claro, que essa repreensão se dirige à “nação toda”, aos “filhos de Jacó”.  Deus diz que todo o povo o estava roubando, retendo o dizimo ou pelo ao menos parte dele, assim como ofertas alçadas. A expressão “todos os dízimos”, poderia ser traduzido também como “dizimo inteiro”, possibilitando essa interpretação. De qualquer forma, se o povo estivesse retendo o todo ou apenas parte dos dízimos estavam retendo o que pertencia ao Senhor,

Aqueles que pretendem relegar esse texto à uma advertência limitada ao corpo sacerdotal, deixam de notar às declarações do próprio Deus que lemos nos versículos 6 e 9. Deus está sim, sem sombra de dúvida requerendo os dízimos ou a parte deles, que o povo estava retendo. Yahweh estava se considerando roubado pelo seu povo e os chama ao arrependimento prometendo-lhes benção sem medida.

Francisco Belvedere Neto

Sair da versão mobile