A Doutrina da Santificação, ou a santificação, vem tratar do nosso estado. A santificação é aquilo que Deus faz em nós. De fato, o ensino da santificação é tão simples, que eu não entendo como algumas religiões a deturpam em um monte de leis, onde o crente para ser santo precisa fazer isso ou aquilo. Isto é um erro em parte, pois a santificação tanto é uma doutrina como é uma maneira de viver Na verdade, a doutrina da santificação está intimamente ligada com a doutrina da justificação. Visto que estas duas doutrinas são confundidas, precisamos distinguir uma da outra. Este foi o erro da igreja em Roma no século XVI, pois naquela época ensinava que se nos tornarmos suficientemente santos, acabaremos sendo justificados por Deus. Entretanto, a Bíblia ensina que primeiramente somos justificados, e disso resulta a santificação. Em primeiro lugar, a justificação é um ato, e a santificação é um processo. A justificação ocorre uma única vez, ao passo que a santificação perdura por toda a vida, até o momento de morrermos. A justificação é algo que ocorre fora de nós; a santificação é algo que ocorre dentro de nós. A justificação é como um juiz que dá a sentença, pronunciando que você é inocente. Já a santificação é como uma cirurgia, em que o paciente deita na mesa de operação e o médico vai retirando tudo o que é podre e estragado. A justificação então trata da culpa, enquanto que a santificação trata da corrupção. Isto nada mais é que tratar dos dois aspectos do pecado. A culpa é fora de nós, e disso trata a justificação; e a corrupção trata do que está dentro da nossa natureza pecaminosa, nossa natureza corrompida. Vamos ilustrar isso. Você já comprou uma bonita maçã, que embora tivesse um bonito aspecto quando comprou, você percebeu que ao morder ela estava estragada por dentro? Aquela podridão com o tempo iria se disseminar por toda a maçã e torná-la totalmente podre, mau cheirosa. A Bíblia afirma que para Deus todos somos mau cheirosos, essa é a condição da humanidade, por isso precisamos da santidade de Cristo em nós, pois nada podemos fazer para nos tornar perfeitos, santos. No caso da maçã, ela pode pular e espernear, mas continuará apodrecendo, Nada podemos fazer por nós mesmos para impedir a corrupção que nos corrói. Logo, só ligados à videira verdadeira é que teremos vida. Não podemos fazer nada sem Jesus. A santidade é, portanto, um ato que depende exclusivamente de Deus. Por isso não se engane pensando que pela maneira de se vestir, pelo cabelo a pessoa fica mais santa. Isto é um erro, pois a natureza pecaminosa está no interior. Uma pessoa que se acha mais santa, por sua maneira de se vestir, ou outras coisa que citamos a pouco, nada mais é que um hipócrita, pois como vimos, nada se pode fazer para tornar podre numa maçã boa de novo. Muitas que só vestem saia, não cortam o cabelo e censuram os que fazem tais coisas, estão se enganando, pois por dentro estão podres, achando-se superiores aos outros. Segundo a Bíblia, qual é o nosso modo particular de corrupção? IJoão 2.16-17 demostra o seguinte: 1) concupiscência da carne: glutonaria, desejos carnais, sexo desenfreado; 2) concupiscência dos olhos: inveja, ódio, malícia, rancor; 3) a soberba da vida: olhar altivo, soberba, achar-se superior aos demais. Veja que tudo isso que foi citado pode acontecer sob um manto de santidade exterior, ou seja, a pessoa se veste só de vestido, não corta o cabelo, mas pode ter todos estes sentimentos e atitudes que descrevemos. Agora, isso não significa que devemos ser passivos na santificação. A Bíblia diz em Hb. 12.14 que devemos seguir a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus. E como se segue a santificação? Jesus responde a essa pergunta em Jo 17.17 “santifica-os na verdade a tua palavra é a verdade”. O verdadeiro cristão, que caminha rumo à santidade, não julga aos outros, mas a si mesmo se julga dizendo: “sou santo?”.