Todos nós sabemos como funciona o evangelismo cristão, sai um grupo de cristão para falar sobre Jesus Cristo com aqueles que não conhecem ou não conseguiram ainda fazer sua decisão em segui-lo, daí geralmente os cristãos saem em grupo para anunciar as “Boas Novas” de Salvação, falando do plano redentor de Deus em prol da humanidade.
A Jihad pode ser classificada como um tipo de “evangelismo” muçulmano, no mundo muçulmano, sua principal mensagem é o Islã, da mesma forma que você vê um cristão pregar o Evangelho de Jesus Cristo, um muçulmano se esforça em falar do Islã, e o nome disse é Jihad, pois, nem sempre Jihad significa guerra, mas toda guerra que envolva muçulmano é Jihad. De acordo com a Dr. Christine Schirrmacher diz que “Jihad pode significar qualquer tipo de esforço feito EM FAVOR DA CAUSA DO ISLÔ (grifo nosso). Isso significa que, seja por um ato violento ou não, se for em favor da causa do Islã é Jihad. A grande diferença entre o evangelismo cristão e do que se entende aqui por “evangelismo muçulmano” é que, enquanto o evangelismo cristão é baseado no amor, na tolerância, na mensagem de Jesus Cristo, o “evangelismo muçulmano” é baseado no esforço em prol do Islã, que por vezes este esforço se transforma em violência, e isto não é apenas autorizado pelo Alcorão ou os hadiths, mas, é divinizado. Mas o que chama atenção é que existe uma certa confusão quando se fala sobre a Jihad no mundo Ocidental, ou seja:
Jihad não é uma simples guerra, Jihad não significa pegar uma arma e sair atirando em alvos aleatórios. Jihad é um esforço em favor do Islã, e isso deve ficar bem claro. Sabemos que a maioria dos muçulmanos é apática aos ataques violentos ou suicidas contra pessoas inocentes, mas a minoria que pratica tais atos “Tem grande peso com o exemplo de Maomé, o guerreiro da causa islã, que, no fim das contas, deve ser imitado com todos os aspectos” (SCHIRRMACHER, 2017, p.55).
Ainda podemos observar o que diz o professor e historiador Albert Hourani fala sobre o papel da Jihad na história de fundação do Islã afirmando que:
A Jihad, guerra contra os que ameaçavam a comunidade, fossem infiéis hostis de fora ou não muçulmanos de dentro que rompessem seu acordo de proteção, era em geral encarada como uma obrigação praticamente equivalente a um dos pilares. O dever da jihad, como os outros, baseava-se nas palavras do Corão: “Ó tu que crês, combate o infiel que tens perto de ti”. A natureza e a extensão da obrigação eram cuidadosamente definidas pelos autores legais. Não era apenas uma obrigação individual de todos os muçulmanos, mas da comunidade, de fornecer o número suficiente de combatentes. (HOURANI, 2006, p. 207)
Portanto, o entendimento sobre a Jihad segundo a sua própria definição não se trata de um simples esforço, é uma obrigação de todos os muçulmanos de acordo com a história do Islã, com o Alcorão e com os hadiths e tudo isso traz à Jihad um caráter divinizado, até o termo Jihad é um termo especifico para um empreendimento de muçulmanos contra os infiéis, o que mais uma vez confirma que a Jihad não escolhe alvos aleatórios, mas sim alvos específicos, observe o que diz um muçulmano em uma palestra: “Jihad é um termo puramente islâmico. Não é um sinônimo de luta, combate, esforço ou qualquer outra palavra. O pré-requisito básico da Jihad é que o inimigo seja não muçulmano. Se nós somos vencedores, é natural para nós a imposição das regras do Islã sobre o país conquistado” (HEWENY, 2018). Essas ordens partem diretamente de Allah através do Alcorão, ou seja, não são interpretações ou algo parecido. Isto significa de que as pessoas devem entender a Jihad da mesma forma com que os cristãos interpretam o que está escrito em Mc 16.15.
Há pessoas, e até escritores em que queiram comparar a jihad com as cruzadas, que foram, em tese, praticadas por cristãos ou algum outro ato de violência praticado por cristãos na história da humanidade, há ainda, aqueles que digam que o Alcorão também tem versículos que venham a “eufemizar” essas passagens. No entanto, aqueles que buscam esses argumentos, desconhecem a história e o próprio fato do desconhecimento das Escrituras de ambas as religiões os conduzem a este erro, conquanto observe:
Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus! Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus! Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus! (Mt 5.8-10)
Maomé disse: Alá atribui a pessoa a participar nas guerras santas pela Causa de Alá, e nada a leva a fazer exceto a crença em Alá e em Seus Enviados, e será recompensado por Alá seja como um prêmio ou botim (caso sobreviva) ou a admissão no Paraíso (caso morra na batalha como mártir). Hadith (Al-Bujari, op. CIt., vol. 1, livro 2, nº 36).
Agora, responda sinceramente: Qual dos dois podem francamente justificar ataques violentos? Qual dos dois pode divinizar uma guerra? E isso não é tudo, há tantos outros versos que poderíamos colocar aqui, ou tantos outros exemplos, mas a conclusão em todos será uma só: Os cristãos não podem justificar ou divinizar qualquer ataque violento em nome do cristianismo; Entretanto, os muçulmanos podem justificar seus atos violentos em nome do Islã.
Por Rafael Félix