No Velho Testamento
SHEOL – Palavra hebraica de sentido obscuro; ocorre 65 vezes no Velho Testamento e é traduzida em muitas passagens por “inferno, mansão dos mortos, sepultura ou abismo”. Não denota a morada final dos ímpios, nem o lugar onde se enterram os cadáveres, mas o reino dos espíritos que se separaram dos seus corpos. Para os judeus, tinha o significado de “mundo dos mortos” ou “abismo subterrâneo”, para onde iam as almas dos bons e maus.
O SHEOL fazia parte do Reino de Iavé. Veja Salmo 139.8.
Os judeus esperavam que suas almas saíssem de lá de alguma forma, pela vontade e misericórdia de Deus. O rei Saul, por exemplo, mil antes de Cristo, acreditava que a alma do profeta Samuel estava viva após a sua morte – tanto que desobedeceu a Lei e tentou contatá-la, sem sucesso, é claro (I Sm 28). Alguns criam na imortalidade e ressurreição futura da alma (Alias, ressurreição é a volta da alma ao corpo), como os fariseus. Outros não criam, como os saduceus. Veja Atos 23.6-8.
No Novo Testamento: Graças à revelação, por meio de Jesus Cristo, temos bem definidos os destinos da alma: céu e inferno, bênção e maldição.
HADES– Palavra grega que significa “mundo inferior e dos mortos”. É a tradução de SHEOL em grande parte dos versículos. Outras palavras gregas usadas: “gehenna” e “tártaro”. Aparece em Lucas 16.23, significando “inferno”.
INFERNUS (Inferno) – Palavra latina que quer dizer “inferior”, “que está em baixo”, indicando também o mundo dos mortos, conforme a acepção judaica “reino subterrâneo”. Foi o termo utilizado para traduzir “HADES” na maior parte das passagens.
PARAÍSO – Provém do avéstico “PAIRIDAEZA”, através do persa “PARIDAEZA”, que significa “lugar cercado de muro, parque de caça, formoso parque, jardim ou horto, lugar de delícias”. Essa palavra originou em hebraico “PARDES”, passou para o grego “PARADEISOS”, em latim “PARADISUS”, em italiano “PARADISO”, chegando até o português. (Em inglês, por exemplo, é PARADISE). Foi a palavra usada por Jesus em Lucas 23.43. Significa o mesmo que “céu” ou “seio de Abraão”.
SEIO DE ABRAÃO – Linguagem figurada. Era uma expressão usada pelos judeus para significar “PARAÍSO”. Denotava a comunhão com o pai Abraão no banquete celestial. É nesse sentido que Jesus usou a palavra em Lucas 16:22. Na Nova Versão Internacional o texto foi traduzido assim : “ ….o mendigo morreu e os anjos o levaram para junto de Abraão”.
CÉU – Do latim “CAELUM”, significando “lugar de felicidade, o auge da bem-aventurança”. Na Bíblia, o termo tem três significados, ou seja, existem 3 céus:
PRIMEIRO CÉU – a atmosfera – Gênesis 1.6-8;
SEGUNDO CÉU – o firmamento das estrelas – II Pedro 3.10;
TERCEIRO CÉU – o lugar onde está Deus, o paraíso – II Cor. 12.2 – 4.
Opiniões de alguns teólogos batistas quanto ao destino da alma do crente
M.F.EWTON – “Verdades Fundamentais” – pg. 139 :
“Quando vamos para o céu? As almas redimidas vão para a presença de Deus imediatamente depois que cessam sua vida aqui na terra. Veja Lucas 23.43… Paulo disse: “mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo para habitar com o Senhor “ (II Co 5.8). Não há demora. Lemos também em Lucas 16.22 “e aconteceu que o mendigo morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”.
WILLIAM CAREY TAYLOR: “ Doutrinas” – pg. 239:
“ P- O crente está no céu entre a morte e ressurreição?
R- Sem possibilidade de dúvida. Leia II Co 5.1-8
P- Há falsas doutrinas que se opõem?
R- Muitos creem que a alma dorme com o corpo no túmulo. É a negação da imortalidade, realmente, pois uma inconsciência de milênios não é sono.
O católico inventou o limbo para as criancinhas não batizadas (pagãs) e o purgatório para os cristãos. Ambas são fábulas pagãs.
Outros pregam a imortalidade condicional, outros, ainda, o universalismo, outros o aniquilamento.
HERSCHEL HOBBS – “Os fundamentos da nossa fé” – pg. 176
“…Concluímos que os ímpios que morrem vão imediatamente para o HADES – o lugar dos mortos – onde permanecem em estado perfeitamente consciente de sofrimento. (…) Na morte o cristão vai para a presença de Deus (Lc 16.22; Lc 23.43 e Fl 1.23). Permanecem em estado consciente de comunhão ininterrupta com Cristo. Estão em estado de felicidade e descanso (Ap 14.13). (…) O estado intermediário não é um estado final para os crentes. O NT não o encara como o estado final ou perfeito (II Co 5.2-4). O apóstolo Paulo suspirava pela ressurreição dentre os mortos (Fl 3.11). Mas o estado imediato é mais abençoado na comunhão com Cristo do que esta vida terrena. Mesmo assim, é apenas uma prelibação da glória final dos redimidos (Is 64.4, I Co 2.9). “
THOMAS ICE / TIMOTHY DEMY – “O Céu e a Eternidade” , pg. 42 a 45
“A Bíblia ensina que, quando um crente morre, seu espírito é levado imediatamente para o céu e para a presença de Deus. Ele se acha instantaneamente junto a Deus. (Ver Fl 1.23)
II Co 5.6-8: “Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor; visto que andamos por fé e não pelo que vemos. Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor”
Hebreus 12.23 também sugere que os crentes que morreram estão no céu agora, sem seus corpos ressurretos, aguardando a hora em que o corpo e a alma serão reunidos num estado final glorificado.
Jesus prometeu claramente para o ladrão crucificado ao seu lado que eles estariam juntos no paraíso, no mesmo momento e no mesmo dia (Lucas 23.43).
A morte resulta na separação entre corpo e alma. Nossos corpos vão para o túmulo e nossos espíritos vão para o Senhor. A separação continua até a ressurreição: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.28,29). Agora as almas dos crentes que já morreram estão no céu. Mas um dia seus corpos serão ressurretos e unidos aos seus espíritos e desfrutarão da eterna perfeição em corpo e alma.
Os descrentes não estão e não estarão no céu, Na hora da morte, seus corpos vão para o túmulo e suas almas vão para o Hades, onde aguardarão o julgamento final… Como os crentes, seus corpos um dia unir-se-ão às suas almas, mas será para o julgamento final (eles receberão corpos imperecíveis – Ap 20.15).
WAYNE GRUDEM – TEOLOGIA SISTEMÁTICA – Páginas 685/686
“ O QUE ACONTECE DEPOIS DA MORTE? 1- A alma dos cristãos vai imediatamente para a presença de Deus. A morte é a interrupção temporária da vida no corpo e a separação da alma do corpo. Quando o cristão morre, embora o corpo permaneça na terra e seja sepultado, no momento da morte a alma (ou o espírito) vai imediatamente para a presença de Deus, cheia de alegria. Quando Paulo pensa em morte, ele afirma: “Preferindo deixar o corpo, e habitar com o Senhor” (II Co 5.8). Deixar o corpo é estar com o Senhor no lar. Ele também diz que seu desejo é “partir e estar com Cristo” (Fl 1.23). Jesus também disse ao ladrão que estava morrendo ao lado dele na cruz: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23.43). O autor de Hebreus diz que, quando os cristãos se reúnem para o culto, eles não estão apenas na presença de Deus no céu, mas também na presença dos “espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hebreus 12.23). Todavia, como veremos mais detalhadamente…..Deus não deixará nosso corpo sem vida na terra para sempre, pois, quando Cristo voltar, a alma do cristão será reunida ao corpo. O corpo dos cristãos será levantado dentre os mortos, e eles viverão eternamente com Cristo.”
* Estudo com algumas adaptações nossas