Hoje, ele prepara “a base de um levante cultural”, com migrantes nordestinos e gaúchos sem-terra, em Passo Fundo
Nivaldo Florentino de Lucena recebeu a dica de um amigo: “Tem um filme com a história de um negão que é da hora!”. O “negão” era Malcolm X. O filme era a biografia do ativista americano, dirigida por Spike Lee. Numa sessão lotada de rappers, Nivaldo, da Zona Leste de São Paulo, concluiu que o negão era da hora mesmo. Filho de uma mãe que, no censo do IBGE, se declarava “branca” e de um pai que se anunciava “pardo”, ele pertencia à geração que tinha certeza de que eram todos “negros”. Saiu do cinema decidido a encontrar uma mesquita. Era 1992. Muhammad trocou a bebida, as drogas e os pequenos crimes pelo Alcorão. Anos mais tarde, se formou em teologia islâmica na Líbia. Em 2002, desembarcou na gaúcha Passo Fundo, cidade de colonização europeia, onde loiras naturais são tão corriqueiras como o chimarrão. Tinha duas metas sob a takiah muçulmana: assumir um posto numa multinacional de frangos halal (abatidos segundo a prescrição islâmica) e divulgar o islã.
Quando Muhammad Lucena chegou, havia três famílias muçulmanas de origem árabe. Hoje, ele conta mais de 40, a maioria composta de trabalhadores da empresa. Muhammad se tornou o imã, líder religioso, de uma comunidade com um perfil inédito: migrantes nordestinos que chegaram ao sul como mascates e gaúchos que trocaram a zona rural pela periferia da cidade. No caso de Passo Fundo, o islã disputa, no campo religioso, com a Igreja Católica e com as neopentecostais evangélicas. No campo político, com o MST. “Sempre fui peão e, como negro, fui vítima de muito preconceito aqui no Rio Grande”, diz Valdivino Bueno da Silva. “Tinha intenção de virar sem-terra, como o meu irmão, mas acabei ficando por aqui e me convertendo.” Em 2005, aos 24 anos, ele conseguiu vencer o alcoolismo e virou Abdallah.
Tornou-se “irmão” no islã de João Paulo Silva, que deixou o sertão do Ceará para vender artigos de cama e mesa pelas ruas de Passo Fundo. “Gaúcho chama todos os nordestinos de baiano”, diz. “Era uma vida sofrida.” Aos 20 anos, mudou de sina, adotou o nome de Jaber e virou um obstinado divulgador do islã. Converteu a mulher, irmã de um pastor da cidade. E também os sogros, que abandonaram a crença evangélica e vieram do interior do Paraná para ficar perto da comunidade islâmica de Passo Fundo, em franca expansão. Ela já tem um cemitério e o terreno da futura mesquita, doado pelo governo do Kuwait.
Muhammad, de 33 anos, casado com uma branca e pai de cinco filhos, defende um islã para todas as cores e raças. Na Líbia, conheceu Louis Farrakhan, mas não simpatiza com as “ideias radicais” do líder da Nação do Islã. Ele crê, porém, que o Brasil vive “uma nova revolução islâmica”. “Há focos do islã borbulhando em toda parte. Existem hoje brasileiros estudando na África, na Ásia e no Brasil para fazer a inserção de muçulmanos em órgãos-chave”, diz. “Já temos a base pronta, com os mais pobres. Só nos falta um líder para ter um levante. Não armado, mas cultural.”
Comentário do CACP sobre a Questão do Islã no Brasil
A Constituição Brasileira reza o seguinte: “… é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias…” (Artigo 5º Parágrafo VI).
Agora, será que esse direito de culto permite qualquer culto? Será que essa liberdade religiosa permanece de pé mesmo quando tal religião se volta contra a sociedade que deveria beneficiar? O Alcorão e o Hadiz, que são distribuídos livremente em nosso território, mesmo incitando a violência, devem ser usados como livros sagrados? Essas são questões que precisamos refletir e rever dentro de um contexto sociológico brasileiro, caso contrário, nossa liberdade pode se voltar contra nós.
Essa mesma Constituição também reza que a nossa sociedade deve ser livre, justa e solidária (Art. 3º-I), mas se o islamismo for implantado em alguma parte de nosso país, essa região passará a ter uma lei islâmica (sharia) e não mais a brasileira. E ai, como será? Sobre essa questão teocrática que envolve o islã, escreveu o escritor e professor de estudos orientais Bernard Lewis: “A idéia de que algum grupo de pessoas, algum tipo de atividade, alguma parte da vida humana está em algum sentido fora da esfera da lei e da jurisdição religiosa é estranha ao pensamento muçulmano. Não há, por exemplo, nenhuma distinção entre direito canônico e direito civil, entre a lei da Igreja e a lei do Estado, crucial na história cristã. Há apenas uma única lei, o sharia, que é aceito pelos muçulmanos como de origem divina e regula todos os aspectos da vida humana: civil, comercial, criminal, constitucional, bem como matérias que dizem respeito mais especificamente à religião… A primeira, e sob muitos aspectos a mais profunda, diferença, da qual as demais decorrem, podem ser vista nos mitos de fundação – uso o termo mito sem nenhuma intenção desrespeitosa – contrastantes do islã, do cristianismo e judaísmo. Os filhos de Israel fugiram do cativeiro e vagaram por 40 anos no deserto antes que lhes fosse permitido entrar na terra prometida. Seu líder Moisés apenas a vislumbrou, e não lhe foi permitido entrar nela ele mesmo. Jesus foi humilhado e crucificado, e seus seguidores sofreram perseguição e martírio por séculos, antes de finalmente conseguir conquistar o governo e adaptar o Estado, a língua e as instituições dele aos seus propósitos (e isso contrário ao que ensinou o mestre Jesus). Maomé alcançou vitória e triunfo durante sua própria vida. Conquistou sua terra prometida e criou seu próprio Estado, do qual ele mesmo foi soberano supremo. Como tal promulgou leis, ministrou justiça, arrecadou imposto, recrutou exércitos, fez a guerra e fez a paz. Numa palavra, governou, e a história de suas decisões e ações como governante está santificada na escritura muçulmana e ampliada na tradição… O Estado era a Igreja e a Igreja era o Estado, e Deus era o chefe de ambos, sendo o Profeta o seu representante na Terra. Nas palavras de uma tradição antiga: O islã, o soberano e o povo são como a tenda, o suporte, as cordas e as estacas. A Tenda é o islã, o suporte é o soberano, as cordas e as estacas são o povo. Nenhum pode prosperar sem os outros… Na percepção muçulmana, não existe nenhum poder legislativo humano, e há uma só lei para os crentes – A Lei Sagrada de Deus, promulgada por revelação…”
É por causa do que expomos acima que vejo temerariamente o desenvolver islâmico brasileiro. Se nada for feito, dentro de pouco tempo teremos atentados terroristas dentro de nosso continente Sul-americano. Acredito que, até então, nada houve, devido à utilização de nossa tríplice fronteira no emprego de lavagem de dinheiro, passaportes falsos e um bom covil para esconder terroristas islâmicos. Enquanto o mundo se preocupa com essas questões envolvendo o fanatismo religioso, o Brasil, devido ao seu sincretismo místico, acredita estar livre de tais problemas. Em nosso país é sempre assim, quando se abrem os olhos, a problemática já se tornou sintomática e crônica! Que esse nosso alerta possa despertar o interesse por essa temática que pode se tornar uma mazela nacional! Por isso, oremos…
Fonte: http://revistaepoca.globo.com