Com base na Bíblia, podemos concluir seguramente que nem toda existência no inferno é igual. Primeiro, o testemunho uniforme das Escrituras é de que Deus é perfeitamente justo, e recompensará e punirá cada pessoa de acordo com o que ela fez (veja SaImo 62.12; Provérbios 24.12; Jeremias 17.10; Ezequiel 18.20,30; Romanos 2.5-16; 1Coríntios 3.8,11-15; 2Coríntios 5.10; Colossenses 3.23-25; 1Pedro 1.17; Apocalipse 20.12).
Além disso, a Bíblia é clara quando mostra que com maior revelação e responsabilidade vem um julgamento mais rigoroso (Tiago 3.1). Jesus advertiu os fariseus de que eles receberiam “maior condenação” por causa da hipocrisia obstinada (Lucas 20.47). Acusando as cidades onde realizou a maior parte de seus milagres, Jesus disse: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido com pano de saco grosseiro e com cinza. Por isso, eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no Dia do Juízo, do que para vós” (Mateus 11.21-22). E mais, Jesus utilizou a metáfora de tortura física para advertir seus ouvintes de que aqueles que desobedecessem intencionalmente experimentariam maior tormento no inferno do que aqueles que desobedecem na ignorância (Lucas 12.47-48).
Deus é perfeitamente justo, e recompensará e punirá cada pessoa de acordo com o que ela fez.
Por fim, o Cânon das Escrituras ratifica a ideia do senso comum de que nem todos os pecados foram criados iguais (cf. João 19.11). Ter um pensamento homicida é pecado. Levar esse pensamento a uma conclusão lógica é um pecado ainda mais grave. Todo pecado é um ato de rebelião contra um Deus santo, mas alguns pecados geram consequências mais sérias do que outros e, portanto, recebem um castigo mais severo nesta vida e na próxima. De fato, segundo as Escrituras, o tormento de Hitler no inferno será muito pior do que o de alguém menos perverso.
“E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” (Apocalipse 20.12).
Pr. Hank Hanegraaff