
Revistas e artigos mencionam Estado Islâmico vibrando com a disseminação do vírus chinês em países Ocidentais cristãos. Para eles, a doença é “um presente de Alá”, pois seus inimigos são os mais atingidos e o movimento religioso pode se reagrupar.
Em publicações, jihadistas do Estado Islâmico declaram que o vírus chinês é “um presente de Alá“. Para eles, além de seus inimigos serem os mais atingidos, o caos atual gerado pela pandemia é uma excelente oportunidade para o Estado Islâmico se reagrupar.
De acordo com Conexão política, uma revista mensal distribuída por simpatizantes ao Al Qaeda, a Balagh, chama o vírus chinês de “soldado de Alá“. O autor menciona que isto é a “vingança de Alá” aos olhos dos jihadistas em Idlib, na Síria.
Ainda de acordo com a publicação, segundo o MEMRI, um instituto de pesquisa que analisa a mídia em língua árabe em busca de declarações notáveis, muitos jihadistas vibram com a disseminação do vírus. Steven Stalinsky, diretor do MEMRI, recentemente citou uma lista completa de exemplos no The Wall Street Journal.
Hamas
Outro grupo extremista islâmico, o Hamas (que controla a Faixa de Gaza em Israel), vê o vírus chinês como “intervenção de Alá“, porque “sociedades ocidentais e abertas, como os EUA, mas também Israel, foram até agora mais atingidas do que a hermeticamente fechada Faixa de Gaza“.
Para eles, há lógica para que o Irã seja atingido, pois mesmo sendo um país muçulmano, seu islamismo é de linha xiita. Sunitas acreditam que “Alá está punindo os muçulmanos iranianos por sua ‘cegueira’ e ‘politeísmo‘”.
Martírio chinês
Ademais, muçulmanos xiitas acreditam que “o vírus chinês enviado por Alá está do lado deles“. Já em janeiro, um clérigo muçulmano sírio, Abdul Razzag al-Mahdi, disse que os muçulmanos deveriam “rezar pelo vírus para eliminar o maior número possível de inimigos chineses de Alá, como punição por sua repressão contra a minoria muçulmana uigur na China“.
Na China há um certo nível de perseguição a islâmicos pelo Governo. No entanto, o Partido Comunista não os combate com a mesma intensidade com que age contra cristãos. Há uns meses o futebolista Mesut Özil chegou a denunciar este tipo de ação contra muçulmanos no país.
Um comandante xiita na Síria acredita que “o Irã poderia usar pacientes infectados como arma biológica, vivos ou mortos. Caso os pacientes estejam vivos, eles devem ser persuadidos pelo governo iraniano a se sacrificar como mártires“.
Reagrupamento
O Portal Conexão Política denuncia, ainda, que a retórica está ligada a uma ação islâmica coordenada. Há no deserto entre a Síria e o Iraque, região dominada pelos combatentes do Estado Islâmico (EI), um forte movimento de levante e reagrupamento baseado no caos.
Ainda de acordo com a publicação, o Instituto para o Estudo da Guerra (Institute for the Study of War) relatou um ataque de militantes do EI contra forças pró-governo na Síria. Isso aconteceu em 09 de Abril, perto da fronteira com o Iraque, não muito longe de Abu Kamal, onde o EI foi oficialmente derrotado no ano passado. O ataque foi repelido com a ajuda do apoio aéreo russo. Dois dias antes, em 07 de Abril, o EI assumiu a responsabilidade pelo assassinato de um político do partido sírio Baath em Daraa, no extremo sul.
Extraído do site http://gazetaconservadora.com.br/ em 24/04/2020