Quando um engenho espacial regressa de seu vôo orbital, há um período de blecaute que dura cerca de quatro minutos e no qual todas as comunicações se interrompem. Isso é devido ao calor intenso gerado pelo regresso da nave espacial á atmosfera terrestre.
A Bíblia nos ensina que o homem se encontra num período de blecaute espiritual, pois nesse aspecto ele está cego. “Apalpamos as paredes como cegos, sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nos trevas, e entre os robustos somos como mortos” (Isaías 59:10). “O deus deste mundo cegou o entendimento dos incrédulos” (II Coríntios 4:4).
Espiritualmente, o homem também está surdo. “Homens que têm ouvidos de ouvir, e não ouvem” (Ezequiel 12:2). Jesus chegou ao ponto de dizer: “Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Lucas 16:31).
Espiritualmente, o homem está morto. “Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Efésios 2:1).
Tudo isso quer dizer que a comunicação entre Deus e o homem se encontra quebrada. Existe um mundo maravilhoso de alegria, harmonia, paz e satisfação ao qual milhões de pessoas são cegas, surdas e até mortas. Anseiam pela serenidade, procuram e felicidade, mas nunca parecem encontrar.
Há muita gente que desiste da procura e se entrega ao pessimismo; com freqüência o desatento a leva a uma roda frenética de coquetéis, nos quais se ingerem vastas quantidades de bebidas alcoólicas. Outras vezes, gente em tal estado se vicia em entorpecentes, e tudo isso é parte da procura desesperada com a qual o homem procura uma saída, para fugir às frias realidades de uma existência atormentada pelo pecado. Durante todo esse tempo, Deus está falando, pedindo. O aparelho de televisão que temos pode estar na sala frio, desligado, sem imagem e sem funcionar, mas isso não é por culpa da indústria da televisão, que mantém seus programas no ar, com muitas estações transmissoras em pleno e perfeito funcionamento. Cabe-nos, no entanto, ajustar os botões de sintonia em nosso receptor, procurar o canal certo. Deus está enviando Sua mensagem de amor, mas é preciso que sintonizemos, é preciso que desejemos ouvir e receber Sua mensagem, e depois obedecê-la.
Muitos querem ouvir o que Deus diz, levados apenas pela curiosidade. Querem analisar e dissecar a mensagem em seus próprios tubos de ensaio e para essas pessoas Deus continua a ser o grande silêncio cósmico “lá fora, em algum lugar”. Ele Se comunica com os que desejam ouvi-lo e recebê-lo, e está pronto a obedecer. Jesus disse que nos devemos tornar humildes como criancinhas, e Deus Se revelou com mais freqüência aos pequenos e humildes – a um menino pastor, como Davi, a um homem do deserto como João Batista, a pastores que observavam suas ovelhas, a uma jovem chamada Maria.
Como Deus fala? Como pode um cego ver? Como pode um surdo ouvir?
Desde o início, Deus falou ao homem. Adão ouviu a voz do Senhor no Jardim do Éden. Teve dois filhos, Caim e Abel, e com ambos Deus falou. Caim rejeitou o que lhe era revelado, mas Abel foi obediente à palavra de Deus. A atitude de Abel demonstrou que um homem manchado e prejudicado pelo pecado podia corresponder às propostas de Deus e assim, logo de início, Deus começou a construir uma ponte entre Si próprio e o homem, mediante a revelação.
REVELAÇÃO NA NATUREZA
Deus Se revela na natureza. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se houve som nenhum” (Salmos 19:1-3). Existe na natureza uma língua que fala da existência de Deus; é a língua da ordem, beleza, perfeição e inteligência.
Faz pouco tempo que um cientista me disse que quando pensava seriamente na ordem majestosa do universo e sua obediência à lei imutável, não conseguira deixar de crer em Deus, e de perceber que Deus falava por intermédio da natureza.
Deus fofa na certeza e regularidade das estações do ano, na precisão de movimentos do Sol, Lua e estrelas, no aparecimento regular da noite e do dia, no equilíbrio entre o consumo humano de oxigênio vital e sua produção pela vida vegetal do planeta, e mesmo no choro de um recém-nascido, com sua demonstração sempre renovada do milagre da vida.
Quando nasceu o meu filho Ned, o mais novo, tive o privilégio de estar na sala de parto, junto de minha esposa. Pouco antes do momento em que ele nasceu, o médico olhou para mim e disse:
– Já assisti ao nascimento de milhares de crianças, e não me canso de ficar maravilhado com o milagre do nascimento. Como alguém pode negar a existência de Deus, depois de assistir a isto, é coisa que não entendo.
O avanço do conhecimento humano, em nossa geração, não quer dizer a descoberta de coisas novas, mas apenas a ampliação de nosso entendimento e capacidade de usar aquilo que já se encontra presente. O homem está sempre descobrindo mundos que para ele são novos, porém antigos para Deus. Até um exame casual das estatísticas da astronomia faz com que fiquemos pasmados. A densidade espacial do universo é tão grande que se calcula existirem agora mais de mil milhões de galáxias. Essas galáxias têm a dimensão média de vinte mil anos-luz de uma borda a outra, e muitas se encontram a mais de dois milhões de anos-luz de distância. Essas grandezas são de absorção impossível pelos nossos espíritos. Muitos astrônomos afirmam não existir limite para o universo e as idéias e teorias antigas sobre o início do universo estão sendo abandonadas. Se ao cientista faltar a crença em Deus, é certo que se sentirá perplexo diante dos mistérios do universo.
Olhar por um microscópio é ver outro universo, tão pequeno que somente os microscópios eletrônicos o podem descobrir. Como exemplo, revelou-se que ura único cristal de neve, numa tempestade ou nevasca com milhões de outros cristais, é equivalente a vinte bilhões de elétrons. Os cientistas estão descobrindo que o mundo em miniatura de uma única célula viva se mostra tão espantoso quanto o próprio homem.
Assim é que o Apóstolo Paulo afirmou: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1:20). Deus declara que podemos aprender muita coisa a Seu respeito, bastando para isso observarmos a natureza. Por ter Ele fala do por intermédio de Seu universo, homem algum tem desculpa para não crer nEle. Por isso o salmista afirmou: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmos 13:1).
REVELAÇÃO NA CONSCIÊNCIA
Deus também Se revelou ao homem na consciência. Esta tem sido descrita como a luz da alma. O que faz com que essa luz de advertência continue acesa, quando cometemos um erro?
A consciência é nosso conselheiro e mestre mais bondoso, nosso amigo mais fiel e, às vezes, nosso pior inimigo. Não existem castigos ou prêmios comparáveis àqueles conferidos pela consciência. Dizem as Escrituras: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor” (Provérbios 20:27). Em outras palavras, a consciência é a lâmpada de Deus, dentro do peito humano. Em sua Crítica da Razão Pura, Emanuel Kant dizia que apenas duas coisas lhe causavam assombro – os céus estrelados e a consciência do homem.
Em seus diversos graus de sensibilidade a consciência dá testemunho de Deus e sua própria existência dentro de nós constitui reflexo divino na alma do homem. Sem consciência, seríamos como navios desgarrados, ou como mísseis desprovidos de sistema orientador.
REVELAÇÃO NA ESCRITURA
Deus também Se revelou nas Escrituras. Ele tem dois manuais: um é o da natureza; o outro é o da revelação. As leis de Deus, reveladas no manual da natureza, jamais se alteraram e são hoje o que sempre foram, desde o início. Elas nos falam do poderio e majestade imensos de Deus.
No manual da revelação, que é a Bíblia, Deus se manifestou verbalmente, e essa palavra pronunciada sobreviveu a todos os golpes da pena humana. Resistiu aos assaltos dos céticos, agnósticos e ateus, e jamais curvou a cabeça diante das descobertas científicas. Continua suprema, em sua revelação da redenção, e quanto mais o arqueólogo cave e o cientista descubra, tanto maior é a confirmação para a verdade bíblica.
Reiteradamente os autores da Bíblia afirmam que Deus lhes deu o que escrever. Duas mil vezes no Antigo Testamento eles dizem que Deus falou. Nos cinco primeiros livros encontramos expressões tais como:
“O Senhor Deus chamou Adão e disse”
“O Senhor disse a Noé”
“Deus falou a Israel”
“Estas são as palavras que o Senhor pronunciou”
“Deus disse”
“O Senhor falou, dizendo”
“O Senhor ordenou”
“A palavra do Senhor”
É com freqüência enorme que os profetas do Antigo Testamento usaram expressões tais como:
“Ouvi a palavra do Senhor”
“Diz o Senhor”
“Ouvi a voz do Senhor dizendo”
“A palavra do Senhor veio a mim”
“Tudo quanto te ordenar, tu dirás”
“Pus minhas palavras em tua boca”
“A Palavra do Senhor veio a mim, dizendo”
Ou Deus realmente falou a esses homens, enquanto eles escreviam sob inspiração, ou então foram eles os mentirosos mais coerentes já vistos no planeta. Contar mais de duas mil mentiras sobre um assunto parece inacreditável, e mais de duas mil vezes os autores da Bíblia disseram que Deus pronunciara aquelas palavras! Ou Ele realmente fez isso ou então eles mentiram. Se estivessem errados nessa insistência por que motivo deveríamos aceitar seu testemunho em qualquer outro ponto?
Jesus fazia freqüentes citações do Antigo Testamento, e em nenhum momento indicou que duvidava das Escrituras. Também os Apóstolos citavam-nas repetidas vezes, e o Apóstolo Paulo afirmou: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (II Timóteo 3:16). Disse o Apóstolo Pedro: “Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” ( II Pedro 1:21).
Deus fala ao homem por intermédio das Escrituras, e por isso é tão importante que leiamos a Bíblia. Muitos há que recebem a Bíblia de segunda mão e conhecem apenas uma caricatura do que ela diz, tendo somente idéias vagas sobre os seus ensinamentos. Quando vou a centros universitários, fico espantado ao verificar como os estudantes se mostram ignorantes dos verdadeiros ensinamentos da Bíblia. Eles pensam que os conhecem, mas tal não acontece.
REVELAÇÃO EM JESUS CRISTO
Finalmente, Deus fala na pessoa de Seu Filho Jesus Cristo. “Deus… ultimamente, nestes dias, falou-nos por meio de seu Filho” (Hebreus 1:1, 2). A idéia de que Deus viria algum dia visitar este planeta é uma verdade antiga que, sem dúvida, constitui remanescente oral da revelação original proporcionada por Deus a Adão, referente a uma prometida salvação (Gênesis 3:15). Encontramos referências grosseiras a isso, na maioria das demais religiões do mundo, indicando que em alguma época passada o homem ouvira ou percebera que Deus viria visitar a Terra. No entanto, somente quando a “plenitude do tempo” se formou, quando estavam certas todas as condições, quando todas as considerações proféticas se achavam cumpridas, é que Deus “enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4:4).
Naquela primeira noite de Natal em Belém, Deus “se manifestou na carne” (I Timóteo 3:16). Essa manifestação foi na pessoa de Jesus Cristo. A Escritura afirma, referindo-se a Cristo: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade” (Colossenses 2:9). Essa manifestação de Deus se mostra, sem comparação, a revelação mais completa que Deus já deu ao mundo. Se quisermos saber como é Deus, basta olharmos bem para Jesus Cristo. NEle estavam presentes não só as perfeições exibidas na criação, como a sabedoria, poder e majestade, mas também perfeições tais como a justiça, misericórdia, graça e amor. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (João 1:14).
A seus discípulos Jesus disse: “Credes em Deus, crede também em mim” (João 14:1). Essa seqüência de fé é inevitável. Se acreditarmos no que Deus fez e no que Deus disse, acreditaremos nAquele que Deus enviou.
O meio de entendermos esses fatos da salvação é a fé. Nem sempre somos desafiados a entender tudo, mas nos é dito que acreditemos. “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em meu nome” (João 20:31).
Todas as esperanças que tenhamos de Deus, todas as possibilidades que tenhamos de vida eterna, toda prelibação que tenhamos do céu, toda probabilidade de que tenhamos uma nova ordem social – tudo isso tem de estar ligado a Jesus Cristo. É quando vamos ter com Jesus que o desconhecido se torna conhecido, e não só isso, mas também quando vamos ter com Jesus Cristo é que sentimos o próprio Deus. Nossas vidas obscuras e limitadas recebem a luz da presença eterna de Deus, e vemos que há um outro mundo além da confusão, limitação e frustração deste mundo.
Extraído do livro MUNDO EM CHAMAS, BILLY GRAHAM