Ayaan H. Ali: “Nosso dever é manter Charlie Hebdo vivo”

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Nota: A tradução feita abaixo é bastante limitada, mas de enorme importância para os leitores brasileiros. Ayaan é uma das maiores especialista em islamismo do mundo. Seus livros são best-sellers e mostram como a imprensa mundial está se equivocando com o islamismo. Diante disso, me atrevi a traduzir o presente e recente texto. Leia, pois o artigo é contundente e necessário (Prof° Martinez)

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Deus! Eu pensei – como isso poderia acontecer?  Charlie Hebdo  não é um órgão de imprensa novo ou sem experiência. Eles haviam reproduziram as caricaturas de Maomé a partir de 2006. Eles estavam sob proteção policial por um bom tempo. Eles se mudaram de seus escritórios para novos escritórios. Então, meu primeiro pensamento foi – como isso poderia mesmo acontecer? Como poderia toda a equipe do  Charlie Hebdo ser assassinados a sangue frio?

E então vieram as memórias. Na Holanda, quando meu amigo Theo Van Gogh foi assassinado, a pouco mais de 10 anos atrás, o que se seguiu após o choque inicial, foi que muitas pessoas começaram a dizer que ele era um provocador, e que ele tinha ofendido os muçulmanos. Para mim, era moralmente insana tal atitude! Tudo estavam muito confuso! Pensei: como alguém que usa a fala, que usa palavras, que usa a caneta, deve ser morto por causa disso; se você pensou que a única maneira de ter um diálogo é usando as palavras, o outro lado não pensa assim, o outro lado usa a violência para fazer seu ponto de vista valer. Todo mundo lá fora, que diz: “Charlie Hebdo  provocou”, está fazendo o mesmo erro fundamental de outrora.

Precisamos acordar para o fato de que há um movimento, um movimento muito letal, muito cruel, que tem uma visão política sobre como o mundo deve ser organizado e como a sociedade deve viver. E, para que eles possam realizar sua visão, eles estão dispostos a usar todos os meios. Eles estão dispostos a usar a violência. Eles estão dispostos a usar o terror religioso.

Isso é algum tipo de culto? Ou são os princípios deste culto incorporado no Islã? Acontece que eu acho que eles estão embutidos no Islã – o Islã é o problema! A única maneira que os muçulmanos pacíficos pode se livrar disso é reformando sua religião, de modo que, por exemplo, eles não possam mais fornecer justificativas para assassinar pessoas consideradas blasfemas. E, enquanto eles vão reformar a sua religião, o que vai levar algum tempo, nós, os que não aderimos a essa religião precisamos defender os nossos próprios valores. A liberdade de expressão. A liberdade de publicação. E o Estado de Direito.

As perguntas passando por minha mente são: Como estão facilmente disponíveis armas como Kalashnikovs e lançadores de foguetes? Como essas armas chegaram ao coração de Paris? Alguém pensa que é apenas essas três pessoas envolvidas? Há toda uma rede. Há um grande número de pessoas escondendo armas. Quando eu estava na Holanda, este é o tipo de coisa que as pessoas temiam. Quanto mais inertes ficarmos, mais nos entregamos e mais encorajados os inimigos da liberdade se tornam.

A bola está agora no campo dos meios de comunicação. Se a imprensa responde a isso por não reimpressão dos desenhos animados, por não defender o princípio de que Charlie Hebdo  estava defendendo, então nós perdemos – eles ganharam. Esses homens gritaram: “Allahu Akbar”. Eles gritaram, “O Profeta está vingado. Charlie Hebdo  está morto”. Nosso dever é manter  Charlie Hebdo  vivo. Nosso dever é ter certeza de que eles percebam que o Profeta Maomé nunca será vingado com tais barbáries.

Em 2006, quando  Jyllands-Posten  na Dinamarca publicou as caricaturas de Maomé, a grande mídia fez a decisão de não reimprimir aqueles desenhos animados, de respeitar as sensibilidades dos muçulmanos e para evitar a fúria muçulmana. Seria o maior erro para a imprensa ocidental repetir aquela mesma atitude – os fanáticos precisam ser confrontados.

Obviamente, a primeira obrigação de todos os governos democráticos liberais é reforçar o Estado de Direito. O governo francês vai caçar esses assassinos por todos os lugares. Ele também deve acabar com as redes que estão por trás deles. E é preciso certificar-se de que a plataforma de debate, onde podemos trocar ideias livremente é seguro e sadio.

A outra coisa que precisamos fazer é DEFENDERMOS A LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Isso é o que somos, estes são os nossos valores. E sim, os nossos valores incluem tolerância de quem deseja fazer da religião um divertimento. Na imprensa, nas universidades, nas escolas, nós temos que ter certeza de que os imigrantes muçulmanos, que vêm para o Ocidente, entendem que nossas regras protegem satíricos de jihadistas, e não o contrário.

Eu vi hoje as imagens do mar de rostos nas capitais europeias segurando cartazes dizendo: “Eu sou  Charlie Hebdo”. Isso é lindo e é a coisa perfeita para fazer. Amanhã eles devem segurar cartazes dos desenhos animados  do Charlie Hebdo. Afirmando assim que o nosso direito à liberdade de expressão é único, e assim garantiremos que 12 pessoas não morreram em vão.

Mas o ponto mais importante que eu quero destacar é sobre o que a imprensa faz agora. Quando todos estão sentados em suas redações e estão refletindo sobre isso e se perguntando: “Será que devemos reimprimir essas caricaturas ou não? Devemos imprimir caricaturas do profeta Maomé? Devemos usar a sátira para descrever estas coisas?”. Por favor, ignore essas vozes, dizendo: “não vamos provocar”, pois o direito de provocar é a essência da nossa ideologia de viver!

Exorto todos na mídia para tomar uma posição agora. Toda uma revista foi exterminada. Se você acha que eles não vão um dia vir contra você, só porque você se absteve de zombar do profeta, então você está gravemente equivocado.

Ayaan Hirsi Ali é a fundadora da Fundação AHA e autora dos seguintes livros:
NÔMADE – Do islã para a América, Cia das Letras;
INFIEL – A história de uma mulher que desafiou o islã, Cia das Letras;
A Virgem na Jaula – Um Apelo à Razão, Cia das Letras

Fonte: https://www.cacp.app.br/ayaan-h-ali-nosso-dever-e-manter-charlie-hebdo-vivo/

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