Depois de efusivos dois anos de estudos, analisando a questão da soberania de Deus e do livre arbítrio do homem, conclui que existem algumas teorias que tentam dar elucidação aos textos bíblicos que falam dessa problemática, entre elas estão: Agostinianismo, Tomismo, Molinismo – aqui três visões do catolicismo – Luteranismo, Anglicanismo, Calvinismo, Arminianismo, Wesleyianismo e teísmo aberto – ambos cosmovisões protestantes. Desses, o único que teve a ostentação de fechar a questão, foi o Calvinismo. João Calvino fez um “sistema monobloco” e fechado, aprimorado no sínodo de DORT (em 1618 e 19) em cinco pontos chamado TULIP. Apesar de complexo, pude perceber que o determinismo calvinista aliado ao que eles chamam de livre agência é o conceito mais basilar e simplista para tentar compatibilizar as incongruências teológicas envolvendo a questão. Talvez por isso seja o que mais tenha fracassado na exegese bíblica e apresente um distanciamento agudo da interpretação da Igreja Primitiva.
Já os demais teoremas são complexos, ricos e de uma alucinante racionalização para tentar entender o Divino e seu agir na vida de suas criaturas humanas. Entretanto, todos os teoremas, de certa forma, colocam Deus dentro do tempo – principalmente o calvinismo e o teísmo aberto (que eu classifico como o oposto de uma mesma moeda).
Contudo, um dos sistemas, apesar de ter sido criado no século XVIII com precisão de física quântica moderna, tira Deus do tempo e O coloca como atemporal e sem passado e futuro, mas em um eterno presente. John Wesley faz isso com imensa exatidão retórica ao dizer:
- O todo-poderoso, onisciente Deus, vê e sabe, desde a eternidade até a eternidade, tudo que é, que foi e que será, através de um eterno agora. Para ele nada é passado ou futuro, mas todas as coisas igualmente são presentes. Ele não tem, portanto, se falamos conforme a verdade das coisas, presciência, nem pós-ciência. Ainda quando nos fala, sabendo do que somos feitos, conhecendo a exiguidade de nosso entendimento, ele se nivela até nossa capacidade e fala de Si mesmo em termos humanos. Assim, condescendendo-se de nossa fraqueza, ele nos fala de Seu próprio propósito, conselho, plano, presciência. Não que Deus tenha necessidade de conselho, de propósito, ou de planejar Seu trabalho de antemão. Longe de nós imputar isto ao Altíssimo: medi-lo por nós mesmos! É meramente em compaixão de nós que nos fala assim de si mesmo, como prevendo as coisas no céu e na terra e como predeterminando-as ou preordenando-as. (WESLEY, John. Sobre a Predestinação. In SALVADOR, José Gonçalves: Arminianismo e Metodismo. São Paulo: Junta geral de Educação Cristã.1960 p.90).
O Reverendo Francisco Belvedere Neto coloca assim a cosmovisão de Wesley:
- Ao afirmar que, para Deus, é como se tudo fosse um “eterno agora”, não havendo pré ou pós-ciência da parte de Deus, pois tudo está presente diante de Deus, Wesley automaticamente rejeita a visão de Armínio de uma predestinação com base na fé ou incredulidade antevista. Wesley entende que Deus chama de eleito ao verdadeiro crente, com base nas seguintes palavras: “Aquele que crê será salvo. Quem não crê será condenado”. E aqueles que permanecem na sua incredulidade são chamados de réprobos, e não possuem discernimento das coisas do Espírito. Wesley explica a afirmação bíblica de que os crentes foram eleitos antes da fundação do mundo, no sentido que Deus tem o tempo e a eternidade diante de si, chamando as coisas que ainda não são, como se fossem.
Então, diante dos pressupostos, incentivo ao estudante pesquisar todos os métodos, entendendo que Wesley conseguiu ser explicito em suas colocações, mais teológico e menos rígido em seu esclarecimento.