Qual a homem que pode viver e não ver a morte, ou se salvar do poder do túmulo? SALMO 89:48
QUANDO SIR WILLIAM Russell, o patriota inglês, ia ser executado em 1863, tirou o relógio do bolso e entregou-o ao médico que o assistia na hora da sua morte.
– Por gentileza, quer ficar com o meu relógio? – pediu. Não tenho mais necessidade dele, agora vou lidar com a eternidade.
A Bíblia tem muito a dizer sobre a brevidade da vida e a necessidade de nos prepararmos para a eternidade. Embora a maioria de nós viva como se fosse indestrutível, precisamos de uma nova consciência do fato de que a morte se acerca rapidamente para todos nós. A Bíblia tem muitas advertências sobre como devemos nos preparar para encontrar a Deus. O rico, com toda a sua fortuna, não consegue obter o perdão da sentença de morte que pende sobre todos os homens. O pobre não consegue mendigar nem um só dia extra de vida da “Dona Morte” que persegue todos os homens, do berço à sepultura.
Diz a Escritura: “O que é a tua vida? Tu és uma névoa que aparece por pouco tempo e logo se desvanece.” (Tiago 4:14)
A tanatologia tornou-se uma matéria popular em muitas faculdades e universidades americanas. Ela é não apenas um estudo da morte em si, mas de como se preparar para a morte. Na maior parte, estão ensinando aos estudantes a como se prepararem para a morte, sem qualquer referência a Deus. Nos últimos anos, livros da Dra. Elizabeth Kübler-Ross, do Sr. Raymond A. Moody e do Dr. Maurice Rawlings têm recebido muita publicidade. Devido ao terrorismo no mundo todo, e às muitas mortes causadas por moléstias terríveis como o câncer e os ataques cardíacos, há um novo interesse pela morte.
Se você escutar algumas das canções populares que os jovens estão cantando, perceberá que, dificilmente, as gerações mais velhas entenderão as letras. Mas o jovem entende o recado. Se você comprar um livro e estudar as letras, como eu fiz, verá que muitas das canções tratam de sofrimento e morte.
Muitas pessoas cínicas e seculares têm-se dedicado, na verdade, a pensar profundamente na vida e na eternidade. A pessoa, que é a alma da festa, também pode ser aquela que está usando uma máscara. Por baixo dela existe um medo, um pavor profundo da morte e da eternidade. Numa pesquisa recente descobriu-se que os jovens pensam mais na morte do que em qualquer outro assunto, exceto o sexo. Estou convencido de que, se as pessoas se dedicassem a pensar mais na morte, na eternidade, no juízo e no inferno, haveria vidas mais santas e uma maior consciência de Deus.
Há cristãos em demasia que tentam ignorar a idéia da morte e de ter que, um dia, passar pelo juízo final de Cristo para prestar contas de como passaram os seus dias aqui na terra.
A Bíblia diz que os dias do homem são “mais velozes do que a lançadeira da tecelão.” (Jó 7:6, o grifo é meu) Tanto nos Estados da Carolina quanto na Inglaterra, eu visitei as fábricas têxteis e observei os gigantescos teares que fazem os tecidos do mundo. As lançadeiras se movem com a velocidade de um raio, mal são visíveis a olho nu. A Bíblia diz que é assim a vida do homem aqui na terra.
Ponha a mão sobre o coração e sinta-o bater. Ele está dizendo: “Depressa! Depressa! Depressa!!” Somente alguns breves anos, no máximo.
É Como Uma Sombra Fugaz
Lemos regularmente nos jornais sobre o orçamento desta ou daquela nação. Agora estamos acostumados ao termo bilhões. Será que muitos de nós realmente param para pensar no que é um bilhão? Alguém me sugeriu:
– Antes de fazer novamente uso da expressão “Um bilhão de obrigados”, pense bem no exagero que representa. Pouco mais de um bilhão de segundos atrás estávamos na Segunda Grande Guerra e a bomba atômica ainda não explodira. Um bilhão de minutos atrás Cristo ainda estava na terra. Pouco mais de um bilhão de horas atrás ainda estávamos na era da cavernas.
Todavia, em termos de gastos governamentais, um bilhão de dólares está apenas algumas horas atrás, porque em breve o orçamento do governo americano será de cerca de um trilhão de dólares.
Já parou para calcular quantos dias ainda lhe restam? Você o pode fazer facilmente, na sua máquina de calcular de bolso. Se você chegar aos 70, terá aproximadamente 25 mil dias de vida. Se está agora com 35 anos, isso quer dizer que lhe restam apenas pouco mais de 12 mil dias.
A Bíblia também ensina que a vida é como uma sombra, como uma nuvem fugaz passando por sobre a face do sol. Diz o salmista: “Porque eu sou para contigo um peregrino, um forasteiro como todos os meus pais.” (Salmos 39:12) O mundo não é um lar permanente, é apenas uma moradia temporária. “Somos estrangeiros diante de ti e peregrinos como o foram todos os nossos pais; os nossos dias sobre a terra são como a sombra, e não há permanência.” (I Crônicas 29:15)
O tempo está se escoando para cada um de nós. O falecido presidente Kennedy não poderia imaginar, naquela sexta-feira de manhã em 1963, enquanto tomava o desjejum, que, às duas da tarde, estaria na eternidade. Nunca sabemos quando vai chegar o nosso momento. Tragédias como a morte dele e a de seu irmão, Bobby, devem nos ajudar a perceber a incerteza da vida, a brevidade do tempo e a nossa necessidade de estarmos prontos para ir ao encontro de Deus a qualquer momento.
A Escritura ensina que Deus sabe o exato momento em que cada pessoa vai morrer. (Jó 14:5) Jamais passaremos dos limites demarcados por Ele.
Estou convencido de que, quando uma pessoa está preparada para morrer, também está preparada para viver. E se soubéssemos tudo o que há para saber, escolheríamos morrer na hora em que Deus planejou que morrêssemos.
Portanto, uma das metas primordiais da vida deve ser preparar-se para a morte. Todo o restante deve ser secundário.
As Pequenas Folhas da Oportunidade
A Bíblia também nos lembra que nossos dias são como a relva. (Sal. 103:15) São recheados de pequeninos minutos dourados pela eternidade. Somos exortados a redimir o tempo porque os dias são maus. (Efés, 5:16) Como escreveu C.T. Studd, o missionário pioneiro e famoso jogador de críquete de Cambridge, enquanto ainda era estudante ali:
Apenas uma vida, logo será passado
Apenas perdurará o que por Cristo foi realizado.
A vida é uma oportunidade gloriosa, se for usada para nos condicionar para a eternidade. Se falharmos nisto, embora possamos ter êxito em todo o restante, a nossa vida terá sido um fracasso. Não há escapatória para o homem que desperdiça a sua oportunidade de se preparar para seu encontro com Deus.
Nossas vidas também são imortais. Deus fez o homem diferente das demais criaturas. Ele o fez à Sua imagem, uma alma viva. Quando este corpo morrer e a nossa existência terrena estiver terminada, a alma ou espírito viverá para sempre. Daqui a cem anos você estará mais vivo do que está neste momento. A Bíblia prega que a vida não termina no cemitério. Existe uma vida futura com Deus para aqueles que confiam em Seu Filho, Jesus Cristo. No futuro também existe um inferno, separado de Deus, para o qual estão indo todos os que recusaram, rejeitaram, ou deixaram de receber o Seu Filho, Jesus Cristo.
Vítor Hugo disse, certa vez: “Sinto em mim mesmo a vida futura.” Fala-se que Ciro, o Grande, declarou: “Não concebo que a alma viva apenas enquanto permanece neste corpo mortal.” Nada, exceto a nossa esperança em Cristo, retirará o travo amargo da morte, lançando um arco-íris de esperança ao redor das nuvens da vida futura. Nossa âncora é Jesus Cristo, que aboliu a morte e trouxe à luz a vida e a imortalidade, através do Evangelho.
Morte Para o Cristão
A maioria de nós sabe o que significa ficar atordoado pelo falecimento súbito de um amigo dedicado, um pastor piedoso, um missionário devoto ou uma santa mãe. Já ficamos de pé junto à cova aberta com as lágrimas escorrendo pelas faces e perguntamos, em total confusão:
– Por que, ó Deus, por quê?
A morte do justo não é nenhum acidente. Você acha que o Deus cuja vigília atenta nota a queda do pardal e que sabe o número de fios de cabelo em nossa cabeça daria as costas a um de Seus filhos na hora de perigo? Com ele não existem acidentes, tragédias ou catástrofes, no que diz respeito a Seus Filhos.
Paulo, que viveu a maior parte de sua vida cristã no limiar da morte, expressou uma certeza triunfante sobre a vida. Testemunhou: “Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Filipenses 1:21) A sua fé forte e inabalável enfrentava sem hesitar as tribulações, a perseguição, a dor, os planos frustrados e os sonhos desfeitos. Nunca se encolerizava com cinismo indagador e perguntava: “Por que, Senhor?” Sabia, sem a menor sombra de dúvida, que sua vida estava sendo moldada à imagem e semelhança de seu Salvador; e a despeito do seu desconforto, jamais se questionou durante o processo.
Paulo Tinha Certeza
Nem sempre as coisas saíam de acordo com os planos e idéias dele, porém, Paulo não murmurava nem questionava. A sua certeza era a seguinte: “Sabemos que aos que amam a Deus todas as coisas lhes cooperam o bem, a saber, aos que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8:28)
Quando o seu corpo cansado e machucado começou a fraquejar sob o fardo, disse ele em triunfo: “Sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo for desfeita, temos de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” (II Coríntios 5:1)
O mundo o chamou de tolo por causa de sua crença de que os homens poderiam partilhar da vida eterna por intermédio da fé. Porém ele empinou o queixo e falou, exultante: “Sei a quem tenho crido e estou persuadido de que ele pode guardar o meu depósito até aquele dia.” (II Timóteo 1:12)
Cada uma dessas afirmações triunfantes ressoa cheia de esperança e certeza numa vida imortal. Embora o cristão não tenha imunidade contra a morte e não reivindica a vida perpétua neste planeta, a morte para ele é uma amiga, ao invés de uma inimiga; o começo, ao invés do fim; mais um passo na trilha para o céu, ao invés de um salto para o desconhecido sombrio.
Para muita gente, os ácidos corrosivos da ciência materialista desgastaram a sua fé na vida eterna. Mas, vamos e venhamos, a equação de Einstein E=MC2 não é um substituto satisfatório para Fé + Entrega = Esperança?
Paulo acreditou em Cristo e se entregou todo a Cristo. O resultado foi que ele sabia que Cristo poderia cuidar dele para sempre. Uma fé forte e a esperança viva são o resultado da entrega incondicional a Jesus Cristo.
Os Cristãos Têm Uma Esperança Gloriosa
Um dos bônus de ser cristão é a esperança gloriosa que se estende para além do túmulo, indo para a glória do amanhã de Deus.
A Bíblia abre com uma tragédia e se encerra com um triunfo.
Em Gênesis, vemos a devastação do pecado e da morte, mas, no Apocalipse, vislumbramos a gloriosa vitória de Deus sobre o pecado e a morte. O Apocalipse 14:13 diz: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos; porque as suas obras os acompanham.”
Mas qual é a base da esperança do cristão para a vida eterna? Será que nossa esperança de vida após a morte é apenas a racionalização de um desejo ou otimismo cego? Será que podemos ter alguma certeza de que existe vida após a morte e que virá o dia em que aqueles que conhecem a Cristo estarão com Ele por toda a eternidade?
Sim! Existe um grande fato que dá aos cristãos a certeza diante da morte: a ressurreição de Jesus Cristo. É a ressurreição física e corporal de Cristo que nos dá confiança e esperança. Porque Cristo ressurgiu dentre os mortos, nós sabemos, sem sombra de dúvida, que a morte não é o fim, mas é meramente a transição para a vida eterna.
Nunca se esqueça de que a ressurreição de Cristo é, em muitos aspectos, o acontecimento central de toda a história. Disse Paulo: “Se Cristo não foi ressuscitado, a vossa fé é vã, estais ainda em vossos pecados. (…) Se nesta vida temos unicamente esperado em Cristo, somos de todos os homens os mais dignos de lástima. Mas agora Cristo foi ressuscitado dentre os mortos.” (l Coríntios 15:17-20) A ressurreição de Cristo faz toda a diferença! Porque Ele ressurgiu dentre os mortos, nós sabemos que era, na verdade, o Filho de Deus que veio para nos salvar através da Sua morte na cruz, como afirmava.
Porque Cristo ressurgiu dos mortos, nós sabemos que o pecado e a morte e Satanás foram decisivamente derrotados. E porque Cristo ressurgiu dentre os mortos, nós sabemos que existe uma vida após a morte e que, se pertencermos a Ele, não precisamos temer a morte ou o inferno. Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim ainda que esteja morto, viverá; e todo o que vive e crê em mim nunca jamais morrerá!” (João 11:25-26) Ele também prometeu: “Na casa do meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar; depois que eu for e vos preparar lugar, voltarei e tomar-vos-ei para mim mesmo, para que onde eu estou, estejais vós também.” (João 14:2,3) Sabemos que essas palavras são verdadeiras porque Jesus morreu na cruz e ressurgiu dentre os mortos. Que esperança gloriosa nós temos por causa da ressurreição de Jesus!
“As cousas que o olho não viu, E o ouvido não ouviu, E não entraram no coração do homem, tudo quanto preparou Deus para os que o amam.” (I Coríntios 2:9)
Nossa confiança no futuro baseia-se firmemente no fato do que Deus fez por nós em Cristo. Não importa qual seja a nossa situação, jamais precisaremos nos desesperar, pois Cristo está vivo. “Mas se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele; (…) Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor. ” (Romanos 6:8,23)
As Palavras Derradeiras dos Cristãos
Para o justo, a morte é bem diferente do que é para o descrente. Não é algo para se temer, nem para se evitar. É o limiar ensombrecido do palácio de Deus. Não admira que Paulo tenha declarado: “Desejo partir e estar com Cristo, pois é muitíssimo melhor.” (Filipenses 1:23)
Quero partilhar com você algumas das declarações que li, que eu mesmo experimentei ou que são colocadas na Bíblia sobre a morte de um crente em contraste com a morte de um descrente (alguém que se recusa a ou deixa de acreditar em Jesus Cristo). Existe uma vasta diferença entre a morte dos dois. Conversei com médicos e enfermeiras que seguraram as mãos de moribundos, e eles dizem que, muitas vezes, há tanta diferença entre a morte de um cristão e a de um não-cristão como há entre o céu e o inferno.
A maioria dos cristãos enfrenta a morte com um espírito triunfante. Algumas das declarações feitas e registradas quando morriam são emocionantes:
“Nosso Deus é o Deus de quem vem a salvação. Deus é o Senhor pelo qual escapamos à morte” – Martinho Lutero.
“Viva em Cristo, morra em Cristo, e a carne não precisa temer a morte” – John Knox.
“O melhor de tudo, Deus está conosco” – John Wesley.
“Tenho dor… mas tenho paz, tenho paz” – Richard Baxter.
Augustus Toplady, o autor de Rock of Ages, estava cheio de júbilo e triunfo na hora de sua morte, aos 38 anos.
– Já estou desfrutando o céu em minha alma – declarou ele – minhas orações estão todas convertidas em louvor.
Quando Joseph Everett estava morrendo, disse:
– Glória! Glória! Glória!
Continuou a exclamar glória por mais de 25 minutos.
Na minha própria vida, tive o privilégio de saber o que alguns dos santos moribundos disseram antes de irem para o céu. A minha avó sentou-se na cama, sorriu e disse:
– Vejo Jesus, e Ele está me estendendo a mão. E lá está o Ben, com os dois olhos e as duas pernas. (Ben, o meu avô, perdera uma perna e um olho em Gettysburg.)
Havia um velho quitandeiro galés que morava perto de nós, e meu pai estava ao seu lado quando ele estava morrendo. Ele falou:
– Frank, está ouvindo a música? Nunca ouvi uma música dessas em toda a minha vida – as orquestras, os coros, os anjos cantando…
Logo a seguir, morreu.
As Palavras Derradeiras dos Descrentes
Compare essas expressões de fé com as palavras finais dos ateus, infiéis e agnósticos.
“Estou abandonado por Deus e pelo homem! Irei para o inferno! Ó Cristo, ó Jesus Cristo!” – Voltaire, o infiel.
“Quando vivi, me preveni para tudo, exceto para a morte; agora devo morrer, e estou despreparado para morrer” – César Bórgia.
“Que sangue, que assassinatos, que conselhos perversos eu segui. Estou perdido! Vejo-o bem!” – Carlos IX, rei da França.
Dizem que Thomas Paine exclamou:
“Eu daria mundos, se os tivesse, se A Idade da Razão nunca tivesse sido publicado. Ah, Senhor, ajude-me! Cristo, ajude-me! Fique comigo! É um inferno ficar sozinho!”
A Morte Para o Cristão: uma Coroação
Na Bíblia, diz-se que a morte é uma coroação para o cristão. A imagem é a de um príncipe que, depois de lutas e conquistas numa terra estranha, vem para a corte no seu país natal para ser coroado e homenageado por seu feito.
Já assisti a uma coroação e a pompa e a grandiosidade são magníficas. Minha imaginação alça vôos ilimitados para começar a compreender como será a nossa coroação no céu?
Diz a Bíblia que, enquanto estamos aqui na terra, somos peregrinos e forasteiros numa terra estranha. Este mundo não é nosso lar; nossa cidadania está no céu. Para aquele que é fiel, Cristo dará uma coroa de vida.
Disse Paulo: “Desde agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não somente a mim, mas também a todos aqueles que têm amado a sua vinda.” (II Timóteo 4:8)
A morte é a coroação do cristão, o fim do conflito e o começo da glória no céu.
A Morte É um Descanso da Labuta
A Bíblia também fala na morte, para o cristão, como o descanso da labuta. Diz a Bíblia: “Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. (…) Para que descansem dos seus trabalhos.” (Apocalipse 14:13) É como se o Senhor da colheita dissesse ao trabalhador cansado:
– Foste fiel na tua tarefa, vem e senta-te na varanda coberta do meu palácio e descansa da tua labuta. Entra agora no júbilo do teu Senhor.
Os santos de Deus não desfrutam de muito descanso aqui na terra. Estão incessantemente ocupados para o Senhor. Alguns deles realizam mais em poucos anos do que outros numa vida inteira. Porém, seu trabalho e labuta chegarão ao fim um dia. Diz a Bíblia: “Portanto, resta um sabatismo para o povo de Deus.” (Hebreus 4:9) Este repouso só pode começar depois que o anjo da morte os tomar pela mão e os conduzir à gloriosa presença de seu Senhor.
O apóstolo Paulo declarou: “Temos bom ânimo, digo, e antes queremos estar ausentes do corpo e presentes com o Senhor.” (II Coríntios 5:8)
A Morte É Uma Partida
A Bíblia fala da morte como uma partida. Quando Paulo se aproximou do vale da sombra da morte, ele não tremeu de medo; ao contrário, anunciou com uma nota de triunfo na voz: “O tempo da minha partida se aproxima.” (2 Timóteo 4:6)
A palavra partida quer dizer içar âncoras e zarpar. Tudo o que acontece antes da morte é uma preparação para a viagem final. A morte marca o começo, não o fim. É um passo solene e decisivo na nossa viagem para Deus.
Muitas vezes, me despedi da minha mulher ao partir para algum país distante para proclamar o Evangelho. A separação sempre traz consigo uma ponta de tristeza, mas sempre nos separamos um do outro na esperança segura de que nos veremos de novo. Nesse meio-tempo, a chama do amor arde vivamente nos nossos corações.
Assim também é a esperança do cristão fiel ao pé do túmulo de um ente querido que está com o Senhor. Ele sabe que a separação não é para sempre. É uma verdade gloriosa que aqueles que estão em Cristo nunca se vêem pela última vez. Dizemos adeus aos nossos entes queridos somente até quando o dia nascer e as sombras se desvanecerem. Não é adeus, mas, como dizem os franceses, au revoir… até mais ver.
A Morte Como Transição
Além disso, a Bíblia fala da morte do cristão como uma transição. Paulo escreveu: “Sabemos que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo for desfeita, temos de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus.” (2 Coríntios 5:1) A palavra “tabernáculo” quer dizer “tenda” ou “moradia temporária”.
Para os cristãos, a morte é a troca de uma tenda por uma construção. Aqui somos peregrinos ou turistas, vivendo num lar frágil e tênue, sujeitos a moléstias, dor e perigo. Porém, na hora da morte, trocamos esta tenda ou corpo que desaba e se desintegra por uma casa que não é construída com as mãos, eterna, nos céus. O peregrino errante se encontra na morte e recebe o título de propriedade de uma casa que jamais se deteriorará, pois que é eterna.
A Morte Como Êxodo
Na Bíblia também se diz que para o cristão a morte é um êxodo. Falamos de falecer como se fosse o fim de tudo, mas a palavra “falecer” significa um êxodo, uma saída. A imagem é a dos filhos de Israel deixando o Egito e sua antiga vida de servidão, escravidão e tribulações para ir para a Terra Prometida.
Assim, a morte para o cristão é um êxodo das limitações, dos fardos e da servidão desta vida.
Vítor Hugo disse, certa vez: “Quando eu baixar ao túmulo, poderei dizer, como tantos outros, que terminei o meu dia de trabalho; mas não posso dizer que terminei a minha vida. Um outro dia de trabalho começará na manhã seguinte. O túmulo não é um beco sem saída – é uma via de comunicação, que fecha ao entardecer e abre ao alvorecer.”
Portanto, a morte não é apenas uma saída. É também uma entrada. Como diz o hino da Páscoa: “Jesus vivei De hoje em diante a morte é a entrada para a vida imortal.”
Um Local Preparado
Você acha que Deus, que providenciou tantas coisas para a vida, não iria tomar nenhuma providência para a morte? Não se esqueça do seguinte: a esperança da vida eterna repousa única e exclusivamente na sua fé em Jesus Cristo! Pode ter a certeza disto.
Antes de ter falado a Seus discípulos das muitas “mansões” ou locais de repouso, e antes de lhes ter dado a esperança do céu, Jesus falou: – Crede em Deus, crede também em mim. – A seguir, continuou Ele: – Pois vou preparar-vos um lugar. – E ainda acrescentou, como garantia: – Eu sou o caminho e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não por mim. (João 14:1-6)
A vida eterna é por e através do Senhor Jesus Cristo. Nas palavras exatas da Bíblia, eis o segredo da esperança bendita: “O que crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida.” (João 3:36)
Quando um verdadeiro crente morre, vai direto à presença de Cristo. Ele vai para o céu para passar a eternidade com Deus. Num contraste terrível, aquele que rejeitar a oferta de Deus do perdão é separado de Deus, indo para um lugar que Jesus chamou de inferno.
Minha mulher, Ruth, expressou-o bem num poema que escreveu há alguns anos:
Quando a morte chegar,
chegará suavemente
– esgueirar-se-á –
como após um dia duro
e cansativo a gente se deita
e anseia pelo sono –
terminando a velhice e a tristeza
ou a juventude e a dor?
Quem morre em Cristo
tudo tem a ganhar –
e um Amanhã!
Por que chorar?
A morte pode ser selvagem.
Não podemos ter certeza;
os piedosos podem ser chacinados,
os perversos resistir.
Não importa como a morte possa atacar
ou a quem,
aquele que conhece o Senhor ressuscitado
conhece também o túmulo vazio.
Extraído do Livro “A SEGUNDA VINDA DE CRISTO”, Billy Graham